Em uma floresta cheia de árvores altas e riachos brilhantes, vivia uma raposa chamada Rita. Ela tinha cor de fogo, olhos atentos e a cabeça cheia de ideias travessas. Rita era muito inteligente, mas também muito convencida. Ela se achava mais inteligente do que os outros animais.
Quando via um coelho carregando uma cenoura gostosa, ela logo inventava um jeito de ficar com a cenoura. Quando o texugo achava uma maçã docinha, Rita dizia que a fruta estava estragada só para pegá-la depois. E, sempre que enganava alguém, ela ria baixinho e pensava: “Como é bom ser a mais esperta da floresta!”.

Mas havia um animal que não ligava para as brincadeiras dela: o lobo Bruno. Ele era grande, cinzento e muito calmo. Falava pouco, mas observava tudo com atenção. Rita achava que ele era preguiçoso e devagar. Um dia, ela decidiu testá-lo.
Ela o encontrou perto do riacho e disse com voz doce: “Bruno, atrás da colina existe um lugar cheio de comidas deliciosas, que daria para todos da floresta comerem. Mas eu tenho medo de ir sozinha. Você poderia ir comigo?”.
O lobo olhou para ela com calma e respondeu: “Se isso pode ajudar os animais da floresta, eu vou”.
No caminho, Rita inventava histórias exageradas: “As frutas de lá são enormes e a água é doce como mel!”.
Mas, na verdade, ela estava levando Bruno até um pântano cheio de lama. Quando chegaram, Rita apontou para a frente. “É logo ali, só mais um passo!”, disse.
Bruno avançou e acabou escorregando na lama. A raposa começou a rir sem parar: “Viu? Você acreditou e caiu na minha pegadinha!”. Só que, de tanto rir, ela não percebeu onde estava pisando. O chão afundou e, de repente, ela também caiu no pântano.
A lama grudava em suas patas, no rabo e até no focinho. Quanto mais tentava sair, mais afundava. Assustada, ela chamou pelo lobo. Bruno saiu devagar da lama, pegou um galho firme e estendeu para ela. Com a ajuda dele, Rita conseguiu sair do perigo.
Então ele disse: “Rita, a floresta inteira sabe que você é esperta. Mas usar a inteligência para machucar os outros não é legal”.
Rita estava toda coberta de lama, tremia e sentia vergonha. Já não era mais a raposa confiante, que ria dos outros. Era apenas uma raposa que percebeu que tinha ido longe demais. Ela abaixou as orelhas e disse bem baixinho: “Desculpe”. E dessa vez ela estava sendo sincera.
Depois daquele dia, Rita mudou. Continuou sendo esperta e habilidosa, mas passou a usar suas ideias para ajudar os outros animais, avisar sobre os perigos e inventar brincadeiras divertidas. O lobo Bruno sorria em silêncio ao ver que a raposa tinha aprendido algo muito importante: a inteligência fica ainda melhor quando vem junto com bondade.