Era uma vez um reino onde vivia a princesa Leila com seu pai, o rei, sua madrasta e suas meio-irmãs. Leila não gostava da madrasta, pois percebia como ela se aproveitava do rei para ganhar presentes caros para si e para as filhas. Mesmo assim, Leila não queria que seu pai ficasse sozinho.
Mas tudo mudou quando o rei ficou gravemente doente e, infelizmente, partiu para sempre. A madrasta tornou-se rainha e, junto com as filhas, passou a tratar Leila como uma criada. Ela tinha que arrumar a casa, cozinhar e cuidar de todos os afazeres do castelo. Leila sofria muito com a perda do pai e se sentia triste, sem saber o que fazer.

Certo dia, a madrasta mandou Leila até a cidade buscar um vestido no alfaiate, pois naquela noite haveria um grande baile. Leila obedeceu e seguiu para a cidade. Enquanto caminhava triste pelas ruas da cidade, perguntava-se por que seu pai a havia deixado sozinha.
Foi então que uma velhinha apareceu em seu caminho. “Bom dia, linda menina. Por que você está chorando tanto? Será que aconteceu alguma coisa ruim?”, perguntou a velhinha.
Leila sorriu de leve e respondeu: “Meu pai, o rei, morreu. Agora minha madrasta e minhas irmãs mandam em mim. Elas me transformaram em criada e dizem que vão me expulsar do reino se eu não obedecer”.
A velhinha olhou para ela com carinho e disse: “Isso é realmente muito triste. Mas vou lhe dar algo especial que poderá alegrar seu coração”.
Então entregou a Leila uma pequena plantinha em um vaso.
“Regue esta plantinha todos os dias durante cem dias. Algo muito bonito acontecerá. Mas você não pode esquecer de cuidar dela nem por um único dia”, afirmou a velhinha.
Leila agradeceu à senhora e voltou para casa levando a plantinha com muito cuidado. Quando chegou ao castelo, escondeu o vaso com a plantinha na janela de seu pequeno quarto. Todos os dias, por mais cansada que estivesse, regava a plantinha com carinho.
A madrasta lhe dava cada vez mais trabalho, e as irmãs zombavam dela, mas Leila nunca deixou de cuidar da plantinha. À noite, ela conversava com a pequena planta e contava seus sonhos, suas tristezas e sua esperança de ter uma vida melhor.
Com o passar dos dias, a plantinha foi crescendo. Depois de cinquenta dias, surgiram lindas folhas verdes. Depois de noventa dias, nasceu um botão dourado.
E, no centésimo dia, quando Leila derramou a última gota de água sobre a planta, o botão começou a brilhar intensamente. De repente, a flor se abriu em meio a uma luz mágica e, diante dos olhos de Leila, surgiu um jovem príncipe.
“Não tenha medo. Uma maldição cruel me transformou em planta. Apenas alguém com um coração puro e muita perseverança poderia me libertar. E você conseguiu”, disse ele gentilmente.
Leila não conseguia acreditar no que estava vendo. O príncipe contou que vinha do reino vizinho, onde todos procuravam pelo herdeiro desaparecido. Ele agradeceu a Leila por tê-lo salvado e prometeu ajudá-la.
Quando a madrasta descobriu o que havia acontecido, tentou expulsar o príncipe do castelo. Mas ele contou a todos do reino sobre a crueldade e a ganância dela.
O povo ficou ao lado de Leila. A madrasta e suas filhas foram expulsas do reino, e a justiça voltou a existir no castelo. Com o passar do tempo, o príncipe e Leila se apaixonaram. Então ele pediu a mão dela em casamento, e Leila aceitou com lágrimas de felicidade.
Logo aconteceu um casamento maravilhoso, como o reino jamais havia visto. Depois disso, Leila e o príncipe governaram com bondade e sabedoria. Nunca se esqueciam dos pobres e sempre ajudavam quem precisava.
E, quando alguém perguntava de onde vinha tanta felicidade, Leila apenas sorria e respondia: “Ela nasceu da paciência, da bondade e de uma pequena flor”. E assim Leila e o príncipe viveram felizes por muitos e muitos anos.