O feiticeiro Zoro 

Era uma vez uma floresta onde vivia um feiticeiro malvado chamado Zoro. O feiticeiro morava bem no alto de uma colina, de onde podia enxergar toda a floresta e também o castelo ali perto. 

Todas as pessoas do castelo e das aldeias ao redor tinham medo dele e evitavam entrar na floresta. Diziam que ele gostava de misturar elixires perigosos ou de mandar tempestades para o castelo próximo. Pelo menos era isso que todos comentavam. E, por causa disso, todos sentiam medo dele.

Histórias para dormir pequenas - O feiticeiro Zoro 
O feiticeiro Zoro 

Um dia, porém, um menino acabou se perdendo perto da cabana dele, lá na montanha. Era Jacó, que já tinha ouvido falar do feiticeiro, mas não sabia se as histórias eram verdadeiras. 

O menino estava cansado de cortar lenha na floresta e a aldeia ficava distante. A lua já brilhava entre as árvores. Então ele bateu na porta da pequena casa, onde havia luz acesa. No entanto, ele não fazia ideia de que justamente aquela casa pertencia ao temido Feiticeiro Zoro.

“Toc, toc”, ouviu-se do outro lado da antiga porta de madeira. O Feiticeiro Zoro estava sentado junto à lareira, vestindo um manto verde, e olhou para a porta com desconfiança. O jovem Jacó estava ali fora, esperando para ver se alguém apareceria. A porta se abriu e, de repente, diante dele estava um feiticeiro alto de manto verde. Porém, ele não era assustador, nem mesmo feio, como diziam os boatos.

“Boa noite, gostaria de pedir abrigo para esta noite fria”, disse o menino timidamente. 

O Feiticeiro Zoro o olhou surpreso. Já estava acostumado com todos sentindo medo dele e fugindo de sua cabana o mais rápido possível. Mas aquele menino estava ali, diante dele, sem espada ou qualquer outra arma, e ainda por cima falava com educação.

“Você não tem medo de mim? Afinal, eu sou o ‘temido’ Feiticeiro Zoro”, perguntou ele, hesitante.

Jacó apenas sorriu de leve e balançou a cabeça. 

“Não, não tenho medo”, respondeu com gentileza. 

Ele já tinha ouvido muitos boatos, mas, como nunca tinha visto nada com os próprios olhos, preferiu não acreditar. O canto da boca do feiticeiro se curvou num leve sorriso. Havia muitos anos ninguém lhe dirigia a palavra com tanta tranquilidade.

“Entre, acabei de preparar um chá”, disse ele, agora com voz amável, abrindo espaço para Jacó entrar. 

Lá dentro era quentinho, e o ar estava perfumado de ervas. Diante da lareira, estava deitado o cachorrinho de Zoro, chamado Fubá. O feiticeiro serviu chá ao menino para que se aquecesse, e os dois se sentaram diante do fogo. Jacó afagou o alegre cachorrinho, e logo começaram a conversar.

“Dizem por aí que você faz elixires ruins ou que manda tempestades para o castelo”, disse o menino, tomando um gole de chá. 

Na verdade, nunca tinha provado um tão gostoso. Zoro suspirou tristemente. 

“Isso são apenas boatos. Mas não é verdade. Antigamente, quando caía uma tempestade forte, as pessoas achavam que fui eu quem a enviou. E quando viam meus elixires, pensavam que eram perigosos.” Ele suspirou novamente. “Mas só os uso para cuidar dos animais da floresta ou para ajudar as árvores quando estão doentes. Quando um cervo adoece, dou uma gotinha para que melhore. Quando um passarinho quebra a asa, cuido dele bem rápido para que possa voltar a voar.” 

Jacó o escutava, incrédulo.

“Então você não é um feiticeiro malvado?”, perguntou surpreso. 

“Não, não sou”, respondeu Zoro. “Sou apenas um homem que gosta de viver sozinho na natureza, e por isso inventaram essas histórias mentirosas a meu respeito.” 

Jacó passou a noite na cabana quentinha e, pela manhã, se despediu de Zoro e de seu cachorrinho. Mas fez a ele uma promessa: iria restaurar a reputação do feiticeiro e contar às pessoas como ele realmente era. E assim saiu pelo mundo levando a novidade.

Quando Jacó voltou para a aldeia, contou que o Feiticeiro Zoro não era mau, mas o contrário. Ele não só lhe deu abrigo, como também cuidava da natureza e dos animaizinhos. 

No começo, ninguém acreditou muito, mas conforme começaram a ver os animais saudáveis e ouvir outros testemunhos, entenderam que os boatos não eram verdadeiros. Desde então, não se espalhava mais medo pela floresta, mas sim paz e curiosidade. 

Zoro ficou feliz porque as pessoas finalmente não sentiam mais medo dele e, por isso, passou a ajudar não só os animaizinhos com seus elixires curativos, mas também as pessoas, que aos poucos recuperaram a confiança nele. 

Assim, Zoro deixou de ter apenas os animais como amigos e finalmente fez amizade também com as pessoas.

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