Adélia e seu nome indígena

À beira de um rio largo, no limite da floresta, vivia uma aldeia indígena. Todas as manhãs, uma névoa subia da grama, e o ar tinha cheiro de fumaça das fogueiras que haviam aquecido a aldeia durante a noite toda. Ali estavam suas ocas, suas famílias e seus animais.

Naquela aldeia, cada um tinha dois nomes. O primeiro era dado pelos pais logo após o nascimento. O segundo era dado pelo xamã quando a criança completava oito anos. E esse nome mostrava quem a pessoa realmente era, o que gostava de fazer e em que era boa.

Histórias para dormir pequenas - Adélia e seu nome indígena
Adélia e seu nome indígena

Adélka esperava por esse dia há muito tempo. Ela estava curiosa para saber qual nome indígena o xamã escolheria para ela. Todos os que eram mais velhos já tinham recebido seus nomes e cuidavam deles com muito carinho.

Sua melhor amiga se chamava Corça Veloz, porque corria rápido como o vento e ninguém conseguia pegá-la nas brincadeiras. E seu amigo Lobo Valente tinha coragem de sobra, nunca sentia medo e sempre conseguia animar os outros, mesmo quando estavam assustados.

E agora era a vez de Adélia. Mas ela mesma não sabia que nome poderia receber. Sabia fazer um pouco de tudo, mas achava que não era muito boa em nada.

Certo dia, enquanto secava ervas ao sol com sua mãe, Adélia compartilhou seus medos: “Mamãe, tenho medo de que nenhum nome combine comigo”. A mãe respondeu com carinho, acariciando a trança de Adélia: “Não se preocupe. Todo mundo tem algo especial dentro de si, assim como você. Basta alguém enxergar isso uma vez, e logo todos também vão enxergar”.

O dia da festa estava chegando, e os preparativos já estavam quase prontos. Todos da tribo carregavam lenha, colhiam flores e as crianças ajudavam a enfeitar o espaço em volta da fogueira. Todos estavam animados, rindo e cantando enquanto trabalhavam. Só Adélia estava quietinha e não se sentia bem.

De repente, ela viu o pequeno Tadeus sentado perto do riacho, chorando. Ele havia caído e arrebentado sua pulseira de miçangas, que era muito especial para ele. Na hora, Adélia correu para ajudá-lo. Juntos, recolheram as miçangas e, depois, colocaram todas em um fio mais forte. Quando terminaram, ela disse que agora a pulseira estava ainda mais forte, porque passou por um momento difícil e conseguiu superá-lo. Tadeus se acalmou, ficou feliz e voltou a sorrir para o mundo.

Quando o sol começou a se pôr, as tochas foram acesas ao redor da fogueira, e o xamã chamou toda a tribo para a festa que estava começando. A comemoração começou com o xamã dando os novos nomes indígenas para as crianças de oito anos. Até que chegou a vez de Adélia. O xamã olhou para ela, levantou as mãos em sua direção e, de repente, seu rosto se iluminou. Ele já sabia qual seria o novo nome de Adélia.

Com voz tranquila, disse: “Hoje ficou claro quem sempre sabe trazer luz, alegria, calma e sorrisos para os outros, assim, de coração. Agradecemos pela sua bondade e por ajudar as pessoas. De agora em diante, seu nome será Raio de Sol.”

Os olhos de Adélia brilharam de felicidade. Ela gostou do nome e sentiu que combinava com ela. Desde então, ninguém mais a chamou de outro jeito. E todos sabiam que, quando Adélia estava por perto, a tribo ficava um pouquinho mais iluminada e feliz.

Avalie isso post

Navigácia príspevkov

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo