Era a última semana das férias de verão, e a pequena Gabriela, com sua família, aproveitava os últimos dias quentes em seu chalé. Hoje eles resolveram passear pela floresta que ficava próxima ao chalé.
“Mamãe, por que cada animal faz um som diferente? Os pássaros cantam, os cachorros latem, os sapos coaxam… Por que eles não falam todos igual?”, perguntou curiosa a menininha enquanto caminhava pela trilha da floresta.

A mamãe sorriu com ternura e respondeu:
“Porque cada criatura tem seu jeitinho próprio de conversar. Assim como as pessoas em diferentes países falam línguas diferentes. Por isso nossa gata Ciça mia e nosso cachorrinho Paçoca late.”
Gabriela franziu o nariz — ainda não tinha certeza se havia entendido.
“Não pode ser tão difícil assim”, pensou a menininha, consigo mesma.
Desde então, Gabriela passou a prestar muita atenção aos sons da floresta. A floresta estava cheia de tantos sons estranhos, dos quais ela nunca tinha reparado antes. Ela ouviu com atenção — escutou zumbidos, o farfalhar das folhas e, ao longe, um suave canto de pássaro.
Enquanto caminhavam pela floresta, Gabriela admirava as árvores altas, as flores escondidas sob as folhas e também os sons curiosos. De repente, ela avistou um esquilo laranja que pulava alegremente de galho em galho.
Ao seu redor, pássaros passaram voando e pousaram em um galhinho, começando a cantar alto. Gabriela observava como cada criatura fazia algo diferente – o esquilo saltitava à procura de nozes, os passarinhos voavam e cantavam.
“Isto é a harmonia da natureza”, disse a mãe, apontando para o esquilo e os passarinhos juntos em um galho. “Eles não falam a mesma língua, mas ainda assim se entendem e se respeitam na floresta.”
Gabriela concordou e os observou com admiração.
De repente, um som estranho os interrompeu – uma espécie de batida. “Toc, toc”, ecoou pela floresta. O som foi se intensificando, e a pequena Gabriela se escondeu atrás do pai, apertando-o bem forte. “Que som é esse?”, perguntou assustada.
A família seguia devagarinho pela trilha da floresta. Gabriela espiou por trás do pai, e seu medo se transformou em surpresa.
“É um pica-pau!”, sorriu o pai, apontando para o pequeno passarinho que batia no tronco da árvore.
“Talvez esse seja o jeito dele de falar”, disse Gabriela.
“Muito bem, Gabi, você está começando a entender”, elogiou a mamãe, acariciando seus cabelos dourados.
Nos dias seguintes, na cabana e na floresta, Gabriela ouvia o cacarejo das galinhas da vila próxima, o canto dos passarinhos e o coaxar dos sapos do lago perto da floresta.
A menininha começou a entender a harmonia de que a mamãe lhe falava. Embora os animaizinhos não falem a mesma língua, ainda assim se entendem na floresta.
E assim, Gabriela não só conheceu a natureza, como também aprendeu algo novo. Afinal, não precisamos ser iguais para nos entendermos.