Era um dia ensolarado de verão. No pequeno vilarejo escondido entre as montanhas, Jacó saiu para o trabalho. Ele trabalhava para uma bruxa que pagava muito bem. Todos os dias, ele precisava regar o jardim de ervas dela e, depois, varrer todos os cantinhos da casa — menos um.
Jacó tinha uma ordem muito severa de não entrar naquele cômodo. Muitas vezes ele sentia vontade de espiar, mas tinha medo de que a Bruxa o amaldiçoasse.

E assim, todo dia ele chegava, varria tudo o que precisava, às vezes ainda ajudava a Bruxa a carregar lenha ou acender o forno para ganhar umas moedinhas a mais, e depois ia para casa.
Mas houve um dia em que Jacó ficou completamente sozinho na casa da Bruxa. Ela só deixou um bilhete dizendo que tinha saído para colher ervas raras e não sabia quando ia voltar.
Então Jacó começou a varrer os cômodos e, quando ficou perto daquele em que não podia entrar, encostou o ouvido na porta. Ele achou que ouviu um barulhinho. Será que a Bruxa estava criando algum monstro assustador lá? A curiosidade não o deixou, e pensando que a Bruxa não estava em casa, ele abriu devagarinho a porta do quarto.
“Jacó! Seu danadinho! Eu não disse para você que não podia entrar neste quarto?”, surgiu atrás dele a voz brava da Bruxa.
Jacó fechou a porta rapidinho e se arrependeu de ter espiado lá dentro. Ele tinha visto uma moça jovem sentada, tristinha, sem nem saber o motivo de ela estar ali.
“Muito bem, como castigo, que seus pés dancem para sempre! Que doam tanto que você venha pedir perdão!”, disse a Bruxa, batendo no chão com o cajado.
E, de fato, como ela disse, foi o que aconteceu. De repente, Jacó estava em casa e suas pernas não conseguiam parar. Por três dias e três noites seguidos, ele só dançava, pulava e não conseguia parar.
Todo cansado e desesperado, ele foi até a bruxa pedir perdão e implorar para ela desfazer o feitiço. Dançando, atravessou a vila até a casa dela. Bateu na porta e, depois de um tempinho, entrou.
Logo viu a Bruxa se aquecendo perto da lareira e disse:
“Por favor, me perdoa. Eu até te pediria de joelhos, mas não consigo parar de dançar. Eu não devia ter olhado no quarto quando você me proibiu. Fui um bobo e me arrependo disso. Por favor, me ajude a parar de dançar. Estou cansado e meu corpo inteiro dói.”
A Bruxa sorriu.
“Bem, Jacozinho, eu até posso te perdoar, mas só você pode quebrar a maldição.”
“Eu faço qualquer coisa”, disse Jacó, esperando desesperado para saber como quebrar a maldição.
“Você viu aquela moça lá no quarto. Desde pequena ela não tem voz. Dê a sua voz para ela e você vai parar de dançar. Para quebrar a maldição, você precisa sacrificar algo”, disse a Bruxa.
Jacó ficou assustado. Ele já não aguentava mais dançar, mas ficou apavorado com a ideia de nunca mais poder falar. Mas ele também teve pena da jovem no quarto, então, por fim, disse:
“Tudo bem. Dou a minha voz para ela.”
E assim foi feito. Naquele momento, Jacó parou de dançar, mas já não conseguia mais emitir nenhum som, nem mesmo agradecer. Mas do quarto saiu correndo uma moça muito feliz, que agradeceu ao Jacó e lhe prometeu sua mão.
Jacó nunca se arrependeu do dia em que espiou naquela sala. Foi assim que ele encontrou uma linda mulher, que se tornou sua esposa. Em pouco tempo, tiveram dois filhos lindos e, graças à curiosidade de Jacó, viveram felizes juntos até o fim de suas vidas.