O lobo que não sabia uivar

Era uma vez um lobinho chamado Álvaro. Ele vivia com sua família na floresta, sob uma grande rocha cinzenta. Todas as noites, quando a lua aparecia, seu pai, um lobo forte e poderoso, erguia a cabeça e uivava do fundo do peito: “Aúúúúú!” E toda a matilha se unia a ele numa só voz. Quer dizer, todos, menos o pequeno Álvaro.

Álvaro ainda não sabia uivar. Ele queria uivar como seu pai e, por isso, tentava todos os dias, mas ainda não conseguia. Seus irmãos já sabiam uivar há muito tempo, mas ele, nem um som.

Histórias para dormir - O lobo que não sabia uivar
O lobo que não sabia uivar

“Você é como um gato! Nem sabe uivar!”, riam seus irmãos. 

Álvaro ficou muito triste com isso. E se nem fosse um lobo de verdade?

Era uma tarde fria e Álvaro passeava pela floresta com sua irmãzinha caçula, Luana. Eles caminhavam felizes pela floresta procurando pinhas. Eles adoravam brincar com elas quando os lobos grandes não estavam olhando. Somente sua pequena irmãzinha Luana não ria dele e gostava de passar tempo ao seu lado. Os outros irmãos apenas zombavam dele, dizendo que ele não era um lobo de verdade.

E assim, Álvaro e a pequena Luana caminhavam e colhiam pinhas, quando de repente – bum! A pequena Luana desapareceu. Ela caiu em um buraco fundo, escondido sob uma pilha de folhas e pinhas. Luana estava deitada no buraco, assustada e com dor, mas via que seu maninho ainda estava lá.

“Calma, eu vou te puxar!”, disse Álvaro, mas ele não conseguia alcançar a irmãzinha. Era pequeno demais.

“Não vá embora, por favor!”, implorou a irmãzinha.

Álvaro não sabia como ajudá-la e não podia deixá-la ali sozinha, afinal, ele era o irmão mais velho dela. Lá fora, começava a escurecer lentamente. O vento fazia as folhas sussurrarem e, de longe, soavam ruídos assustadores vindos da floresta. Ele sabia que a floresta era perigosa para eles à noite, mas precisava levar sua irmãzinha e a si mesmo para um lugar seguro.

Olhou para o luar espiando por entre as árvores. Não era noite de lua cheia, havia apenas um luar no formato de um pequeno sorriso.

“Eu não tenho sorte”, pensou Álvaro. 

Sua irmãzinha ainda não podia saber disso, era pequena demais. Então, cabia somente a ele. Ele sabia que é na lua cheia que se aprende melhor a uivar, mas hoje não era lua cheia.

Ele olhou para baixo e viu sua irmãzinha tremendo de medo, e ele mesmo começou a sentir frio. Sentiu um sopro suave de medo correndo por sua pelagem. Respirou fundo e tentou. Uma vez – nada. Duas vezes – ainda nada. E até uma terceira tentativa! Mas ele não desistiu, olhava para a lua, determinado a não se render. E de repente, aconteceu!

“Auuuu!”, ecoou bem alto. Soou tão limpo e verdadeiro! Sua voz se espalhou por toda a floresta.

Logo depois, pai chegou trazendo consigo os lobos mais fortes da alcateia. 

“Procuramos vocês por toda parte!”, disse o pai, assustado, abraçando Álvaro e também Luana, que eles tiraram do buraco.

“Papai, o Álvaro uivou como um grande lobo e me protegeu!”, disse Luana, orgulhosa, sorrindo para o maninho.

Papai ficou diante do filho e respondeu, orgulhoso: 

“Você se comportou como um verdadeiro lobo! E uivou lindamente!”, completou, dando um tapinha no pelo cinza dele. Álvaro estava orgulhoso de si mesmo.

Álvaro sabia que foi a coragem que lhe deu forças. Ele sabia que estava ali por sua família. E, desde então, seus outros irmãos nunca mais riram dele. Luana contou para todos o quão corajoso seu irmão tinha sido. E Álvaro não só uivou para a lua, como também, junto com Papai, protegeu a matilha como um verdadeiro grande lobo! E ele nunca mais duvidou de si mesmo.

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