Ah, a tempestade… é um verdadeiro espetáculo de eletricidade. Mesmo quando a gente não vê, a eletricidade está por toda parte. Ela não fica escondida só na tomada ou nos fios: pequenas cargas elétricas estão cochilando dentro de tudo o que existe.
Esta é uma história sobre essas pequenas cargas invisíveis: os Raiozinhos.
Era verão. O sol brilhava, e os pequenos Raiozinhos estavam dormindo. Alguns dormiam nas árvores, outros nas pedras, nas colinas, nas casas e em tantas outras coisas espalhadas por aí. E também dormiam nas nuvens.

Em alguns lugares havia muitos deles; em outros, bem poucos.
O vento brincava de pega-pega com as nuvens, e elas iam ficando cada vez mais escuras. A tempestade começou a se preparar… e isso acordou os pequenos Raiozinhos. Porque as tempestades são justamente o que eles mais amam: é quando podem se divertir à beça e se espalhar, até ficarem na quantidade certinha em todo canto.
Quando uma nuvem ficou bem escura sobre a paisagem, os pequenos Raiozinhos começaram a se agitar. Só que já tinha Raiozinhos demais ali dentro! Eles começaram a se empurrar e discutir, doidos para aprontar alguma coisa.
Foi aí que apareceu um morro alto bem embaixo da nuvem.
Bum!
Da nuvem saiu um raio. Vários Raiozinhos se agarraram nele e desceram juntos, direto para o chão. Lá, os Raiozinhos se acomodaram e começaram a contar para os amigos da terra como era viver nas nuvens.
Mas a tempestade ainda não tinha acabado.
O maior danadinho de todos, o Raiozinho Faísca, continuava lá dentro, espremido e emburrado com os outros. Ele ficou bravo porque não conseguiu se agarrar ao raio e teve que ficar preso na nuvem.
E ele não gostou nada disso.
Mas para onde ele iria?
Foi então que ele viu outra nuvem passando bem na direção da sua. E, de cara, deu para perceber que naquela nuvem havia menos Raiozinhos.
“Que ideia boa… vou me mudar pra lá”, murmurou Faísca para si mesmo.
Bum!
O raio saiu voando da nuvem e brilhou na escuridão. Ele entrou na nuvem da frente, e vários Raiozinhos conseguiram pular de uma nuvem para outra junto com ele.
Só que o danadinho do Faísca… esqueceu de novo de pegar carona no raio!
Aí ele ficou furioso e começou a empurrar os outros Raiozinhos ainda mais do que antes.
Mas a tempestade continuava e estava no auge da diversão. Raio após raio ajudava a levar os pequenos Raiozinhos de nuvem para nuvem, para o chão e para as árvores.
Assim, Faísca pôde escolher onde seria sua nova casa.
E, como era um danadinho, ele escolheu de propósito uma árvore alta e bem seca.
Bum! Cabrum!
Faísca agarrou o rabo do raio e, junto com ele, foi parar na árvore alta. E ainda conseguiu incendiar o tronco! Mas a chuva forte apagou o fogo rapidinho.
Faísca então se acalmou e finalmente pôde dormir tranquilamente.
Assim como a tempestade, que já tinha mostrado toda a sua força e agora ia embora, com as nuvens se afastando aos poucos.
No fim, os Raiozinhos estavam de novo na medida certa em todo lugar. Só ficou a chuva, que molhava as plantinhas sedentas e devolvia o frescor para a natureza.
Da janela de uma casinha, o pequeno Jorge assistia à tempestade. Ele sempre gostava de ver os clarões dos raios e ouvir os resmungos do trovão, mesmo sentindo um pouquinho de medo.
Mas ele sabia que dentro de casa nada podia acontecer com ele.
O raio sempre escolhe alguma coisa bem alta. O raio é uma descarga elétrica super forte, e as pessoas sabem como se proteger dele.
Por isso, colocam para-raios nas casinhas. Eles não atraem os raios. Pelo contrário, mandam embora para longe. É como se dissessem que ali já tem Raiozinhos demais e que não deve entrar mais nenhum.