Era uma vez, além das montanhas e dos vales, um lindo castelo. Nesse castelo havia um tesouro que não se encontra em qualquer lugar, como estátuas de ouro, lustres brilhantes e baús cheios de moedas de ouro. Mas, mesmo com tantas riquezas, o rei não estava feliz. Seu filho, o príncipe Carlos, havia sido enfeitiçado por uma terrível maldição, lançada por uma velha feiticeira.
O jovem príncipe era muito bonito, mas também muito orgulhoso e maldoso. Ele se gabava de seu luxo e zombava dos pobres camponeses. O rei não sabia mais o que fazer e pediu ajuda à feiticeira. Rogou a ela que colocasse um pouco de amor e humildade no coração do filho. Mas a feiticeira, surpresa com a arrogância do príncipe, lançou sobre ele uma maldição: Carlos se transformou em um urso temível.

O rei manteve seu filho escondido do mundo e cuidava dele para que ninguém o visse. Mas, mesmo na pele de um urso, Carlos continuava orgulhoso e zangado.
Certo dia, enquanto estava sentado em seu quarto, Carlos viu algo pela janela. Uma jovem colhia framboesas perto do castelo, cantarolando alegremente.
“Como ela é feliz”, pensou ele, suspirando.
E assim, todos os dias, o príncipe observava a jovem que vinha colher framboesas. Ela usava um vestido vermelho simples e carregava um cesto de palha. No rosto, um sorriso cheio de gentileza.
“Humm, ela é feliz, mesmo sendo pobre”, pensou Carlos. “Mas ao menos ela não está presa aqui”, murmurou.
Enquanto observava a jovem, percebeu algo mais adiante na floresta: um grupo de lobos cinzentos se aproximava dela! Carlos se assustou e gritou:
“Cuidado! Lobos!” Mas a jovem estava longe demais, e ele, alto na torre, não podia ajudá-la.
Algo se mexeu dentro de Carlos. Pela primeira vez em muito tempo, ele não pensou em si mesmo. Pensou apenas em proteger aquela jovem. Sem hesitar, abriu a porta do quarto, e suas enormes patas de urso ecoaram pelos corredores do castelo.
Todos ficaram apavorados ao ver o urso passeando pelos salões. Ninguém sabia de nada, exceto o rei. Carlos atravessou o jardim, pulou a cerca e entrou na floresta. Ele correu o mais rápido que pôde na direção do grito.
“Socorro!”, ecoava pela floresta.
O grito da jovem levou Carlos diretamente até ela. Escondido atrás dos arbustos, ele viu os lobos circulando a menina. Carlos se ergueu sobre as patas traseiras e rugiu tão forte que as árvores tremeram. Os lobos, assustados, rosnaram e fugiram.
A menina caiu no chão, assustada, e começou a chorar.
“Por favor, não me machuque”, sussurrou.
E se ele quisesse comê-la, como aqueles lobos?
“Eu só queria te proteger”, disse Carlos, no seu corpo de urso.
A jovem ficou surpresa ao perceber que o urso falava, mas sentiu gratidão.
“Obrigada”, disse ela, acariciando a pelagem do urso. Carlos não lhe havia feito nenhum mal.
E então aconteceu algo mágico! O sol brilhou mais forte do que nunca, e raios dourados envolveram Carlos. De repente, diante da jovem, não estava mais o urso, mas sim um verdadeiro príncipe!
A maldição finalmente se desfez. E o rei ficou radiante! Carlos não era mais orgulhoso nem maldoso. Ele passou a dedicar seu tempo à bela Helena. Caminhavam juntos pela floresta, apanhavam framboesas e admiravam as flores. Ajudavam os pobres da aldeia, pessoas que antes Carlos desprezava.
E um dia, quando Carlos pediu Helena em casamento, ela disse “sim”. Não porque ele era um príncipe rico, mas porque confiou nele, até mesmo quando ele era um urso.