Heitor e o lenço mágico

O inverno chegou. No calendário apareceu dezembro e, lá fora, começou a fazer frio. Os primeiros floquinhos de neve caíam do céu, e alguns pingentes de gelo brilhavam nos telhados. E, de vez em quando, aparecia também um pinguinho de ranho no nariz de alguém. Por exemplo, no nariz do Heitor.

Heitor era um menino muito bonzinho. Ele tinha cabelos ruivos bem cacheadinhos, um sorriso cheio de dentes brancos e certinhos, e o rosto coberto de sardinhas fofas. Ele era gentil e vivia sorrindo. Mas tinha um probleminha: o nariz dele vivia escorrendo.

Histórias curtas para dormir - Heitor e o lenço mágico
Heitor e o lenço mágico

Por isso, sua mãe repetia várias vezes ao dia: “Heitor, assoe o nariz!”. Mas Heitor achava muito mais fácil passar o ranho na manga do casaco. Era rapidinho: ele não precisava ir buscar um lenço e nem precisava fazer aquele barulhão igual a um elefante. Era só passar a manga no nariz e pronto.

Até que um dia, quando as mangas já estavam bem molhadas, Heitor decidiu assoar o nariz de verdade. Pegou um lenço e, quando estava colocando no nariz, ouviu uma voz dizer: “Até que enfim! Assoe bem forte, assopre em mim. Eu sei que você consegue!”. 

Heitor levou um susto e perguntou: “O quê? Você… fala? Você está vivo?”. “Sim! Eu falo e estou vivo. Mas só crianças com o nariz escorrendo conseguem me ouvir. Os outros não. Agora tenta assoprar bem forte! Vamos fazer uma melodia bem divertida!”, respondeu o lenço. 

Heitor ficou um pouco assustado, mas também muito curioso. Será que o lenço sabia mesmo fazer música? Ele respirou fundo e assoprou com toda a força. De repente, ouviu: “Tú, tutu, Tú!”. O lenço estava mesmo tocando uma melodia! Heitor começou a rir. Era muito divertido!

Depois desse dia, Heitor nunca mais limpou o nariz na manga. Suas mangas ficaram limpinhas e cheirosas. Era muito melhor se assoar. Principalmente com um lenço tão legal. Em poucos dias, Heitor nem estava mais congestionado, afinal, ele vivia se assoando direitinho e o ranho logo sumiu.

Quando o lenço já estava lavado e bem dobradinho, Heitor o guardou na gaveta e sussurrou: “Até a próxima, amigo. Agora o nariz escorrendo não vai mais me irritar. Vou ficar esperando para a gente tocar música de novo”. Mas o lenço não respondeu. Heitor já não tinha mais resfriado, então o lenço não falava com ele. Mas o menino sabia que, quando o nariz começasse a escorrer de novo, seu amigo lenço estaria lá, prontinho para ajudar.

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