Juca e Dênis eram amigos da praia. Ambos viviam numa cidadezinha no litoral e iam pescar com seus pais. Nos dias em que não queriam ir para o mar pescar juntos com seus pais, ficavam na praia brincando. O jogo favorito deles era brincar de reis — cada um construía seu castelo de areia e, entre seus reinos, travavam batalhas.
Certo dia, enquanto esperavam na margem, os meninos começaram a construir seus castelos, mas, sob um monte de areia fina, descobriram algo.

“Olha, alguém deve ter perdido isto!”, disse Juca, tirando da areia um chapéu de palha esfarrapado com uma fita marrom.
“Que pena que não são dois. Podiam ser nossas coroas!”, disse Dênis, aproximando-se para ver melhor.
Juca colocou o chapéu na cabeça — de repente, se encontrou em outro mundo. Diante dele surgia uma selva: árvores altas com bambus pendendo, papagaios coloridos voando e macacos subindo pelos troncos. Mas Juca se concentrou no som da água e seguiu em direção a ela. Em pouco tempo, estava diante da mais alta cachoeira que jamais vira.
Em um piscar de olhos, tudo se desfez e ele estava novamente na praia, ao lado de Dênis.
“Ei! Por que fez isso?”, disse Juca, triste, ao perceber que Dênis havia tirado o chapéu de sua cabeça.
“Chamei por você, mas parecia que nem me escutava. O que aconteceu?”, perguntou Dênis, confuso.
“Esse chapéu é enfeitiçado. Coloquei-o na cabeça e de repente me encontrei em outro lugar completamente diferente!”, explicou Juca.
Curioso, Dênis também colocou o chapéu na cabeça e se viu numa terra diferente da terra que Juca visitou. Estava no cume de uma alta montanha, cercado por florestas e rios, com uma vista magnífica. Sobre os rochedos, uma águia pousava, suas asas enormes se estendendo como um pequeno planador.
Os meninos se revezaram colocando o chapéu até que seus pais chegaram. Em uma só tarde, viajaram por tantos lugares que não dava para contar: viram elefantes, girafas, arranha-céus e até pinguins.
No final do dia, esconderam o chapéu no oco de uma árvore e, dali em diante, sempre tiveram diversão garantida.