Era uma vez uma pequena e modesta cabana onde vivia um velhinho. Ele levava a vida sozinho — sua mulher havia morrido já há alguns anos e eles não tiveram filhos. A única coisa com que ganhava o sustento era cultivando hortaliças.
No entanto, ele estava desapontado, pois naquele ano as coisas não tinham corrido muito bem. No momento, reinava a seca, e tinha perdido boa parte de sua plantação. Os bichos do mato também vieram comer alguma coisa, e do resto que conseguiu vender, sobrou-lhe apenas o suficiente para um casaco de pele quente para o inverno e um pouco de comida.

O velhinho não sabia como passaria aquele inverno. Ainda não tinha conseguido lenha. O telhado da cabana estava furado em vários lugares e precisava de conserto. Por isso disse a si mesmo que não ficaria em casa se lamentando. Iria buscar algum trabalho para ganhar alguma coisa antes de o inverno chegar. Nem precisou ir longe — o proprietário da casa da frente ia à floresta cortar lenha e precisava de um ajudante.
Com a ideia de que poderia ganhar algum dinheiro, o velhinho esqueceu por completo que já não era tão moço como antes. Mesmo assim, se aventurou pela floresta, tentou cortar algumas árvores e carregá-las na carroça, porém logo se cansou. Suas costas doíam e ardiam de cansaço. Ali perto, avistou um pequeno tronco e se sentou para descansar. Fitou a grama alta e ficou pensando no que poderia fazer agora para sobreviver, quando, de súbito, pequeninas criaturas surgiram entre a relva.
Pensou que estava perdendo o juízo, até que uma dessas criaturas lhe dirigiu a palavra:
“Olá, bom homem, somos duendes da boa sorte e ajudamos as pessoas de bom coração. Aparecemos apenas para aqueles que realmente precisam de nós.”
“Como é possível? Vocês estão realmente aqui? Ou será que estou sonhando?”, admirou-se o velhinho.
“A vida toda você trabalhou com dedicação e agora precisa de ajuda. Por isso, pode fazer três pedidos!”, disse o duende com o gorrinho verde.
O velhinho ficou surpreso: três pedidos? Isso era como nos contos de fadas!
“Bem, se é assim… Quero voltar a ser forte e saudável, para conseguir trabalhar.”
O duende girou o trevo mágico de quatro folhas que segurava na mão — e de fato, o desejo se realizou! O velhinho se levantou do tronco e suas costas ficaram como novas. Imediatamente ergueu o pedaço de madeira que há pouco não conseguia carregar, e agora estava leve como uma folha.
“Ora, vocês são verdadeiros duendes mesmo! Como segundo desejo, quero que minha cabana fique como nova — com o telhado consertado, portas robustas e janelas que mantenham a temperatura. E que haja lá um fogão novo e também o assoalho, para que eu não me aflija com reparos.”
O duende novamente girou o trevo de quatro folhas.
“A cabana será exatamente como desejou. E agora, teu último desejo!”, disse ele.
“Desejo que, a partir de hoje, eu tenha a cada ano uma colheita tão abundante que possa alimentar toda a aldeia.”
O duende também lhe concedeu esse desejo — e então desapareceu.
O velhinho terminou o trabalho na floresta, pelo qual foi bem pago, e partiu para casa. Chegando lá, sua cabana estava realmente novinha em folha, exatamente como desejou. Daquele dia em diante, nunca mais voltou a sentir medo, fome ou sofrer com a pobreza.