Era uma vez uma floresta profunda, onde os bichinhos viviam como uma grande família. Nada os afligia e, quando surgia algum problema, eles iam pedir conselhos à sábia coruja. Todas as noites, a coruja voava até o galho mais alto de um carvalho e, de lá, escutava os animais.
Nessa noite, ela se acomodou como sempre e esperou para ver quem apareceria. Poucos minutos depois, chegou o urso.

“Boa noite, sábia coruja. Aconselhe-me, por favor. Encontrei uma colmeia com o mel mais doce, mas está tão alto que temo que os galhos se quebrem e eu acabe me machucando.”, queixou-se o urso.
A coruja logo respondeu:
“Como você sabe que é o melhor mel se nunca provou? Mas se deseja tanto, peça aos seus amigos que o ajudem a construir uma escada. Assim você poderá subir com segurança.”
“Obrigado, coruja!”, disse o urso, antes de correr de volta para a floresta.
Em seguida, chegou o porquinho.
“Boa noite, sábia coruja. Ontem à noite o vento derrubou meu telhado de palha. Como posso construir um novo que resista à ventania?”, perguntou ele, triste.
A coruja logo aconselhou:
“Peça aos seus amigos que o ajudem a trazer madeira da floresta. Um telhado de madeira não deixará a chuva entrar e será muito mais resistente que a palha.”
O porquinho sorriu, aliviado.
Assim acontecia todas as noites, até que um dia os bichinhos esperaram e esperaram, mas a coruja não apareceu.
“Onde está a coruja? Quem vai me ajudar? A raposa roubou toda a minha madeira que eu ia usar para fazer o telhado.”, lamentou-se o porquinho.
“De mim ela levou todas as cenouras que eu tinha deixado na porta da toca!”, disse o coelho.
“E comigo foi pior! Ela quebrou a escada que eu usava para alcançar o mel mais doce…”, resmungou o urso.
Foi então que os bichinhos desconfiaram:
“E se a raposa também levou a coruja? Talvez ela estivesse com inveja, porque a coruja sempre nos ajudava…”
Todos concordaram e decidiram bolar um plano. O coelho deixou novas cenouras perto da sua toca para atrair a raposa e ficou escondido, esperando. Como imaginaram, logo pela manhã a raposa apareceu, pegou uma cenoura pelas folhas e saiu correndo. O coelho a seguiu em silêncio, saltitando até descobrir onde ficava a toca da raposa.
Os bichinhos eram bons amigos e, unidos, prepararam redes que o urso amarrou nas árvores. Quando a raposa saiu de sua toca, acabou presa na armadilha e ficou pendurada.
“Onde está a nossa coruja?”, perguntaram os animais, já certos de que ela tinha alguma culpa.
“Está na minha toca! Eu queria que ela desse conselhos só para mim. Mas, por favor, me soltem e levem a coruja de volta. De qualquer jeito, ela não quis me aconselhar…”, disse a raposa, admitindo todo o seu plano.
O coelho e os esquilos correram para libertar a coruja. Enquanto isso, os outros animais fizeram um acordo com a raposa.
“Vamos soltar você, raposa traiçoeira. Mas, antes, terá de devolver tudo o que roubou e ajudar a consertar o que estragou. Só depois irá embora, e nunca mais voltará à nossa floresta.”
A raposa, desesperada, concordou com tudo, só para não ficar presa. O urso ficou de vigia até que ela terminasse de reparar cada dano. Cumprida a promessa, a raposa deixou a floresta para sempre. Desde então, os bichinhos viveram em paz, sempre com a sábia coruja ao seu lado.