O outono começava a se aproximar devagar, enquanto o verão se recolhia para um sono profundo. Além das folhas coloridas que caíam, Dona Outono trouxe consigo um clima úmido e frio. E o sábado de hoje veio embalado pelas gotas batendo na janela e pelo senhor vento inquieto.
Numa casinha, o calor era aconchegante, mas as crianças estavam entediadas. A mãe de Robson estava incomodada porque seu filho só queria jogar no computador e a pequena Martinha assistia a desenhos na televisão.

“Preciso encontrar outra forma de distraí-los!”, pensou a mãe, quando então teve uma ideia. Ela decidiu que todos jogariam um jogo de tabuleiro. Então, preparou um chá de frutas bem quentinho, colocou um delicioso bolo na mesa, enquanto o pai abriu o jogo e arrumou o tabuleiro.
“Vamos jogar e, como recompensa, vai ter bolo!”, exclamou o pai.
Os irmãos Robson e Martinha correram para a mesa, ansiosos por essa noite cheia de diversão. Quando viram o jogo de tabuleiro, sentaram-se à mesa resmungando. Robson e Martinha até prefeririam jogar no computador ou assistir desenhos animados, mas o bolo de maçã da mamãe acabou convencendo-os a se juntar à brincadeira.
Quando a família começou a jogar, a cozinha se encheu de risadas e o delicioso aroma de bolo se espalhou pelo ar. Todos estavam animados com o jogo, menos Robson. Ele simplesmente não queria, nem sabia perder.
“Vocês só me tiram do jogo e eu sempre fico em último lugar!”, reclamou o menino, batendo na mesa com raiva.
Papai deu uma risadinha:
“É só um jogo, Robson, perder faz parte, não precisamos ganhar sempre”, tentou explicar, mas o menininho não queria entender.
Assim, Robson foi ficando cada vez mais bravo. Ele jogou o dado e, mais uma vez, não conseguiu, continuava em último lugar.
“Isso não é justo!”, gritou, já querendo sair da mesa.
Foi então que mamãe falou:
“Robson, sabe de uma coisa? Tente jogar de novo, mas se perder, vai ter que contar uma piada.”
O menininho jogou o dado e precisava tirar o número seis, mas não conseguiu. Então contou uma piada:
“Vocês sabem por que o gato sentou no computador?”, perguntou.
Mas Mamãe, Papai e Martinha só balançaram a cabeça.
“Ora, foi porque ele quis pegar o mouse!”
A casa inteira se encheu de risadas. Mas era o mouse do computador, não o Mickey Mouse ou um rato de verdade! Martinha riu à beça. E o pai quase caiu da cadeira de tanto rir!
E, daquele momento em diante, surgiram novas regras para a brincadeira — quem perdesse precisava contar uma piada, assim ninguém ficava triste!
E assim foi. Quando o menininho deixou de se preocupar tanto em ganhar, até começou a vencer. Uma vez era ele quem perdia, outra vez era Martinha, ou a mamãe ou o papai. Mas sempre alguém contava uma piada!
Foi então que Robson entendeu que não era preciso vencer sempre, e descobriu que até perder podia ser divertido. E assim, a família viveu uma noite maravilhosa, cheia de brincadeiras, risadas e, acima de tudo, muita alegria.