O cavalinho voador

Numa pequena fazenda, perto de uma floresta profunda, vivia um menino com seus pais. Joãozinho gostava muito da vida no campo e se afeiçoara a todos os bichinhos da fazenda: cabrinhas, vaquinhas, pintinhos e até uma gatinha.

Mas o que ele mais amava era o cavalinho da família, Nico. Sempre que tinha um momento livre, ficava com ele no estábulo, escovando seu pelo, ou, quando o tempo estava bom, saíam juntos pelos campos ao redor.

Contos curtos para crianças - O cavalinho voador
O cavalinho voador

Um dia, porém, aconteceu uma desgraça. O pai, durante uma viagem para encontrar comerciantes, adoeceu gravemente, e a mãe não sabia o que fazer. Até que um dia chegou à fazenda um médico habilidoso, famoso em toda a região. Ele examinou o homem e disse:

“A única coisa que poderá salvá-lo é uma erva muito rara. Tem folhas grandes e escuras e flores violetas. Mas não cresce em outro lugar, senão no descampado sob a grande floresta de árvores de bordo. Fica a sete montanhas de distância.”

A mãe entrou em desespero. Como poderia chegar tão longe, com um marido doente e um filho pequeno?

Joãozinho também ficou muito triste. O médico não conseguiu ajudar o pai. Foi então ao estábulo procurar Nico, para se alegrar um pouco. Enquanto escovava o pelo do cavalinho, pensava em voz alta:

“Por que essa planta não cresce mais perto? Papai ficaria bom de novo… Mas como chegar tão longe?”

Joãozinho olhou para fora do estábulo e viu uma estrela cadente.

“Desejo conseguir chegar até aquela planta!”, murmurou.

De repente, aconteceu um milagre.

“Teu desejo se realizou, Joãozinho. Olha!”, disse Nico, saindo do estábulo. Quando começaram a galopar, o cavalinho elevou-se pelos ares.

“Você sabe falar… e voar?”, admirou-se Joãozinho.

“Então vamos! Vamos buscar a planta para seu papai. Não sei por quanto tempo a estrela me permitirá manter este dom…”, disse Nico.

Rapidamente, Joãozinho montou no cavalinho, e juntos voaram sobre três montanhas e três vales, até avistarem, ao longe, o descampado sob a floresta de árvores de bordo.

Era noite, e a planta era difícil de encontrar. A única luz vinha da lua, que brilhava clara no céu. Finalmente, Joãozinho avistou, entre a grama alta, uma única planta, exatamente como o médico havia descrito.

“Depressa, Joãozinho, precisamos voltar para casa!”, disse Nico.

Joãozinho rapidamente arrancou a planta, e juntos retornaram à fazenda. A mãe, surpresa com a façanha do filho, entregou a erva ao pai, que já se sentiu muito melhor no dia seguinte.

Joãozinho nunca esqueceu sua aventura com Nico e esperava que, algum dia, eles vivessem outras aventuras juntos.

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