Já era tarde da noite quando a mãe colocou Tomás na caminha. Ele era um menino doce e obediente, mas naquela noite não queria dormir tão cedo. Então a mamãe começou a ler um conto de fadas:
“Ninguém sabe se é inventado ou verdadeiro, mas dizem que na Lua vive um homenzinho. Esse homenzinho se chama Luarzinho, e sempre que há lua cheia, ele visita alguma criança e realiza o seu sonho.”

Tomás, pensando na história de Luarzinho, foi devagarinho entrando no reino dos sonhos. Lá sonhou com muitas coisas: com a mamãe e suas deliciosas panquecas, com os amigos da escola e também com seus brinquedos favoritos. Mas, de repente, se viu em um lugar estranho, onde nunca tinha estado antes.
Foi então que apareceu um velhinho de longa barba grisalha, vestido com um manto azul e um gorro que terminava com uma pequena lua dourada na ponta.
“Quem é você? Por acaso é o Luarzinho?”, perguntou Tomás, curioso.
“Sim, eu sou o Luarzinho. Não sei bem como você me encontrou, mas já não trabalho mais!”, respondeu o senhorzinho.
Tomás ficou um pouco triste.
“Como assim? A mamãe me contou sobre você, que visita as crianças e realiza seus sonhos.”
O homenzinho se sentou numa poltrona e suspirou:
“De fato, eu fazia isso. Mas percebi que ninguém realmente sabe de mim, e as crianças nem valorizam o que faço por elas.”
“Isso não é verdade! Todas as crianças do mundo sabem de você e desejam que você as visite pelo menos uma vez. Você não imagina como estou feliz por ter vindo justamente até mim. Se parar de fazer o que faz, vai destruir a alegria dos sonhos das crianças!”, exclamou Tomás.
Luarzinho ficou pensativo diante das palavras do menino.
“Menino, se for realmente assim, então voltarei ao meu trabalho. Nada supera a felicidade e o riso das crianças!”, disse ele, levantando-se e sorrindo para Tomás.
“E por ter me convencido, realizarei qualquer grande desejo que você tiver.”
Tomás pensou em um sonho que sempre tivera:
“Eu gostaria de ir até a Lua. Sempre quis saber como é lá.”
“Que assim seja. Toque no meu gorro!”, disse Luarzinho.
Tomás tocou na ponta do gorro, e de repente os dois estavam na Lua. Com os olhos arregalados, o menino admirava a imensidão à sua volta. Podia ver os planetas mais próximos e o enorme Sol brilhando no espaço. Achou engraçado como era diferente caminhar ali, com passos leves e saltitantes.
Na manhã seguinte, ao acordar, Tomás ainda se lembrava com alegria do sonho. Mas não contou a ninguém sobre sua aventura com Luarzinho… e esperava, em silêncio, que um dia voltasse a visitá-lo.