Lá fora, as luzinhas de Natal já sorriam para nós, junto com todos os tipos de enfeites. E pelas ruas se espalhava o cheirinho gostoso dos doces natalinos. Era hora de enfeitar a árvore de Natal, e a pequena Lúcia já não conseguia mais esperar.
Lúcia e sua mãe escolhiam os enfeites guardados no armário e os levavam para a sala de estar, onde estava a árvore de Natal. Enquanto isso, seu pai enfeitava o telhado da casa, onde colocava luzes brilhantes.

“Este ano vamos ter a árvore mais bonita!”, gritou Lúcia alegremente, abrindo as caixas cheias de bolinhas coloridas, raminhos e outros enfeites.
“E que tipo de árvore teremos este ano? Temos aqui enfeites dourados, vermelhos, brancos, até mesmo azuis!”, disse a mãe.
A menininha ficou pensativa. Realmente, eles tinham muitos enfeites, mas Lúcia gostava mais dos dourados e vermelhos.
“Este ano, a árvore terá enfeites dourados e vermelhos!”, gritou alegremente, começando a escolher bolas vermelhas e douradas da caixa.
Com a ajuda da mãe, pendurou-as na árvore. Quando Lúcia colocou a mão no fundo da caixa, descobriu uma bola antiga e estranha. Era diferente das outras, estava um pouco danificada, mas ainda assim era bonita. Esse enfeite estava coberto de brilhinhos dourados e dentro dele havia uma pequena estrelinha.
“Nossa, este enfeite é lindo!”, exclamou Lúcia.
A mãe sorriu, pegando o enfeite na mão e respondendo:
“Esta bola eu ganhei da minha vovó, sua bisavó. Mas ela é diferente, sim. É mágica! Faz muito tempo que não estava na árvore de Natal, quase me esqueci dela!”, disse para a filhinha, cujos olhinhos azuis brilhavam de admiração.
“E por que ela é mágica, mamãe?”, perguntou Lúcia curiosa, sentando-se no sofá.
A mãe se acomodou ao lado dela com o enfeite mágico na mão e, com lágrimas nos olhos, contou para a filha uma pequena história sobre sua vovó, a bisa de Lúcia:
“Quando eu era pequena, íamos juntos com nossos pais passar o Natal na casa da vovó. Era lindo, toda a família ficava junta e aproveitávamos as festas unidos, não como acontece agora…”, disse a mãe tristemente, pois já fazia muito tempo que não falava com seus pais.
Mamãe enxugou a lágrima que escorria e continuou a história:
“Minha vovó sempre deixava sua árvore lindamente enfeitada. Mas essa bola sempre foi diferente das outras. A vovó ganhou da mãe dela, que também ganhou da própria mãe. Essa bola é passada de geração em geração há muitos anos. Dizem que quem pendurar ela na árvore de Natal e fizer um pedido, terá seu desejo atendido!”, respondeu a mãe.
Lúcia escutava com tanta atenção que parecia que nem respirava.
“Então esse enfeite está na nossa família há muitos anos! Posso pendurar na árvore de Natal e fazer um pedido? Por favoooor!”, pediu a menininha toda animada.
A mãe acenou que sim, e então Lúcia pendurou com cuidado, no meio da árvore, a bola de sua bisavó. Fechou os olhinhos e fez um pedido falando baixinho. Ela acreditava que seu desejo se realizaria.
Conforme os dias passavam, a casa da Lúcia já estava toda decorada com enfeites e luzinhas. Pela casa se espalhava o cheirinho de biscoitos de gengibre.
No entanto, quando chegou a véspera de Natal, Lúcia apenas balançava de um pé para o outro com ansiedade, esperando que seu sonho secreto se realizasse. Ela esperava que a bola mágica de Natal tivesse escutado seu pedido.
Quando Lúcia e sua mãe estavam arrumando a mesa para o jantar, alguém tocou a campainha. Lúcia prestou atenção e correu para abrir a porta. Na porta estavam os avós de Lúcia, os pais da mamãe.
“Meu desejo se realizou!”, exclamou a menininha, abraçando os avós com lágrimas nos olhos.
A mamãe ficou parada no corredor sem acreditar, olhando para seus pais. Há muito tempo eles tinham brigado e moravam longe, então pararam de se visitar e de conversar. Hoje, porém, era véspera de Natal e eles estavam ali, bem na frente dela.
“Papai! Mamãe!”, exclamou a mãe de Lúcia, jogando-se nos braços dos seus pais com lágrimas nos olhos.
Lúcia não realizou o sonho apenas para si mesma, mas também para sua mamãe, que desejava viver o Natal novamente com toda a sua família. As antigas brigas ficaram no passado e todos se reconciliaram, passando juntos um lindo Natal em família.
E foi justamente a bola mágica da bisavó de Lúcia que milagrosamente uniu toda a família novamente.