
Histórias para Dormir
O copo sujo da creche
Na creche encantada, coisas incríveis sempre aconteciam. A cada estação do ano, novas magias surgiam. Agora era primavera: as sementinhas brotavam, borboletas de papel batiam as asinhas e joaninhas de tecido escalavam os vasinhos de flores. Tudo florescia e ganhava vida!
Até os objetos da cozinha ganharam vida. Quando a cozinheira foi lavar os copos das crianças, um copo pulou para fora da máquina de lavar louças. A cozinheira rapidamente o colocou de volta, mas antes que conseguisse fechar a porta, o copo pulou para fora de novo. Ele saiu pulando pela mesa, cantarolando: “Eu não gosto de me lavar e por isso estou fugindo de você. Quero ficar bem sujo e grudento”.
“Ah, qual é, copo! Para com isso e não inventa moda. Não faça birra e entre direitinho na máquina de lavar. Você não pode ficar sujo para sempre. Desse jeito, ninguém vai querer beber em você”, disse a cozinheira tentando convencê-lo. Mas o copo era teimoso. Não queria se lavar e muito menos ser ensaboado. Ele ficou o mais longe possível da máquina de lavar louças. A cozinheira, paciente, desistiu de brigar.
Algumas semanas se passaram, a cozinheira estava colocando os copos na máquina de lavar de novo, quando ouviu um choro baixinho. Olhou ao redor para ver se era alguma criança chorando escondida, mas não viu ninguém. O som vinha do armário. Ela abriu a porta devagar e, no cantinho escuro, encontrou o copo sujo.
“O que você está fazendo aí? Por que está se escondendo?”, perguntou a cozinheira. “Porque ninguém me quer. Ontem as crianças entraram na cozinha para escolher os copos e, quando me viram, me jogaram de lado e disseram que eu não servia nem para ser um vasinho de flor, quanto mais para beber. Então, eu me escondi aqui…”, respondeu o copo.
“Copinho, copinho… E você ainda se surpreende? Olha só como você está sujo, grudento e fedido! Vamos, pare de choramingar e levante-se. Ainda dá tempo de consertar isso. Vou te lavar bem, tirar toda essa gordura e depois te coloco junto com os outros copos — você vai ver que alguém vai te escolher”, explicou a cozinheira, enquanto pegava o copo do cantinho do armário. O copo tentou pular e escapar outra vez, dizendo que não queria ir para a máquina, que não gostava disso. Mas aí se lembrou do que as crianças tinham dito. Ficou chateado por ter sido tão teimoso: era só por isso que agora ninguém o queria.
No fim, ele deixou que a cozinheira o lavasse e o deixasse brilhando. Chegou até se virar para todos os lados, para que a cozinheira não deixasse nenhuma parte suja para trás. Depois, ela o colocou com carinho no meio dos outros copos.
Quando as crianças chegaram, o copo ficou muito nervoso. Estava com medo de que nenhuma criança o escolhesse. Elas começaram a pegar seus copos favoritos, e os copos ao redor iam sumindo, um por um, nas mãozinhas delas… e ele nada. Ele tentava ficar bem retinho e mostrar o seu melhor lado. Até que, de repente, uma vozinha alegre disse: “Aqui está você! Finalmente te encontrei! Não se esconda mais de mim, meu copo favorito”.
A criança o pegou com carinho, o acariciou e sorriu. O copo ficou tão feliz. Estava limpo, cheiroso e ainda por cima descobriu que alguém sentia sua falta. Desde aquele dia, nunca mais foi egoísta nem fez birra para não se lavar. Ele sabia que, com aquela teimosia, só tinha prejudicado a si mesmo. E estava feliz porque a cozinheira não tinha desistido dele e o tinha ajudado a ficar limpinho de novo.
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