
Histórias para Dormir
O duende Celso
Era uma manhã de fevereiro, ainda havia geadas e, de vez em quando, caíam flocos de neve. Nos morros, permanecia o manto branco de neve e, sobre os lagos, o gelo brilhava. Perto do lago havia um salgueiro imponente, onde o duende Celso gostava de ficar.
Ele usava um casaco verde, um gorro vermelho e tinha cabelos verdes esvoaçados. Todo dia o duende sentava-se no salgueiro e vigiava seus amigos peixinhos que viviam no lago.
Um dia, enquanto descansava no salgueiro, ele ouviu de longe um grito. Aos poucos, a voz foi se aproximando, misturando-se com risadas e um assobio estranho. Celso se virou para ver que sons eram aqueles, e viu de longe um grupinho de crianças brincando.
Durante a brincadeira, sem perceber, as crianças se aproximaram do lago muito rápido. Continuaram rindo e correndo, até que, de repente, quando notaram, já estavam no meio do lago. Só que a superfície de gelo não era muito firme em fevereiro e debaixo de seus pés começou a aparecer uma rachadura. Depois outra e outra.
Ao ver isso, o duende Celso pulou do salgueiro, pegou rapidamente o galho mais longo que encontrou, se esticou e gritou para as crianças: “Corram, crianças! Segurem no galho! O gelo não está firme. Vou tirá-los daí para que vocês não afundem”.
As crianças não sabiam o que fazer. Olhavam incrédulas para o duende. Mas então ouviram o gelo estalar sob elas de novo, não pensaram muito e agarraram-se ao galho. Celso puxava o máximo que podia. Segurava firme o galho e tentava arrastar as crianças para a margem em segurança.
Quando parecia que as crianças seriam salvas, o duende escorregou e começou a cair. Felizmente, o salgueiro percebeu, ergueu seu galho mais resistente e o enrolou ao redor do duende. O salgueiro conseguiu segurá-lo bem na hora certa. Ele puxou Celso para a margem que, por sua vez, puxou as crianças. Quando todos já estavam fora do lago, o gelo quebrou completamente e a água refletiu a superfície. O duende e as crianças suspiraram de alívio.
Depois do susto, as crianças confessaram: “Não sabíamos que você existia. Muito obrigada por ter nos salvado. Que bom você estava aqui”.
“Eu estou aqui o tempo todo. Sento-me no salgueiro e observo tudo o que acontece ao redor do lago. Não me incomodo de vocês brincarem por aqui e ficarei feliz se voltarem algum dia. Mas prometam que tomarão mais cuidado”, respondeu o duende. As crianças prometeram que seriam mais cuidadosas e desde então, elas iam sempre ao lago. Junto com Celso, eles jogavam vários jogos. O duende ensinou tudo que sabia sobre peixes. Em contrapartida, as crianças traziam bolinhos frescos feitos pelas mães. E elas nunca se esqueceram de que, mesmo enquanto brincavam, deveriam tomar cuidado.
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