Os bichinhos e a árvore de Natal

No alto de uma colina, na floresta densa, os bichinhos se preparavam para o inverno. Cada um juntava comida e arrumava um cantinho bem quentinho para esperar a primavera chegar. Mas, numa tarde, um sabiá apareceu voando por ali e chamou:

“Venham todos aqui!”

Logo todos os bichinhos que ouviram se juntaram, curiosos para saber o que o pequeno sabiá queria contar.

Contos para crianças - Os bichinhos e a árvore de Natal
Os bichinhos e a árvore de Natal

“Acabei de voar por cima de uma cidadezinha aqui perto para arrumar algo quentinho para o ninho, quando vi uma árvore enorme enfeitada de todo jeito. Estava tão bonito, então pensei… e se a gente também enfeitasse uma arvorezinha na floresta?”, disse o sabiá.

Os bichinhos da floresta se olharam surpresos.

“Uma arvorezinha?”, sussurrou o coelhinho, com as orelhinhas levantadas de curiosidade.

“Na nossa floresta?”, completou a raposa, que sempre fazia cara de importante, mas agora tinha um brilho de animação no olhar.

“Sim, arvorezinha!”, confirmou o sabiá. “A gente também podia ter uma árvore enfeitada bem bonita, para lembrar que até o inverno pode ser mágico.”

Ficaram todos em silêncio por um instante, até que o ursinho ficou de pé sobre as patas traseiras e resmungou:

“Tá bom! Vamos encontrar a árvore mais bonita da floresta e enfeitá-la, para todo mundo ficar feliz!”

E assim, toda a turma da floresta saiu para procurar uma árvore bem legal. Eles andaram um bom pedaço pela floresta até acharem um pinheiro que se erguia alto no céu, com galhos fortes e um monte de agulhinhas verdinhas. Ele já era bonito por natureza.

“Essa!”, gritaram todos ao mesmo tempo.

Os bichinhos correram para todos os lados para encontrar enfeites. Os esquilos traziam nozes e as amarravam cuidadosamente nos galhinhos. O porco-espinho estava com várias pinhas cheirosas espetadas em seus espinhos, que cuidadosamente as colocava nos galhos mais baixos. O texugo desenterrou alguns pedacinhos de madeira esquecidos, que alguém havia perdido há muito tempo e, junto com a coruja, os transformou em enfeites simples. A corça encontrou frutinhas verdes e vermelhas e, ao passá-las delicadamente nos fiapinhos de capim, elas pareciam pequenas miçangas. Até a raposa, que no começo disse que tinha coisas mais importantes para fazer, trouxe um gravetinho coberto de musgo, que brilhou ao sol como uma fita de prata.

Quando tudo ficou pronto, a arvorezinha ficou lindíssima. Mas quando o sol começou a se esconder atrás do morro, os bichinhos perceberam que a arvorezinha não ia aparecer no escuro.

“Que pena”, suspirou o Sabiá. “Ela é tão bonita, pena que não brilha.”

Nesse momento, um ventinho soprou de leve lá no céu, e da floresta veio um estalinho bem baixinho, como se cristais de gelo estivessem se encostando devagarinho. Acima da arvorezinha apareceu um pontinho brilhante. Era um vaga-lume pequenininho, que apareceu ali no inverno, totalmente de surpresa.

“Vamos ajudá-los”, sussurrou.

E de repente, começaram a surgir mais vaga-lumes debaixo das raízes das árvores e das folhas caídas. Eram muitos, bem mais do que alguém se lembrava de já ter havido na floresta. Eles se acomodaram nos galhinhos como pequenas estrelinhas, e toda a arvorezinha se iluminou.

Os bichinhos ficaram parados, de boca aberta de surpresa.

“Isso é um milagre!”, exclamou a corça.

O sabiá pousou no topo da arvorezinha, olhou para sua floresta, para seus amigos e disse, feliz:

“Pronto, promessa cumprida. Nossa floresta também tem sua árvore de Natal.”

E desde então, todo ano antes do inverno, os bichinhos da floresta enfeitam seu pinheiro. Os vaga-lumes sempre voltam e iluminam tudo, para lembrar que, mesmo nos dias mais frios, dá para sentir calor quando todo mundo fica junto.

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