
Histórias para Dormir
O motorista da van
Toda manhã, uma van atravessava a cidade. Estava sempre limpinha, respeitava todas as regras e andava devagar e sem barulho, levando gostosuras para todo lado. Bem cedinho, a van saía para um lugar bem longe da cidade, que ninguém conhecia. Lá ela era carregada de frutas e verduras e voltava para a cidade, onde entregava tudo nas barracas da feira. Quem dirigia a van era um motorista. Mas não era um motorista qualquer…
À primeira vista, ele até dava medo. Era alto, tinha braços musculosos e cara de bravo. Mas, quando sorria, os olhos azuis como um lago brilhavam de um jeito que ninguém conseguia ter medo dele. Ele adorava dirigir a sua van e amava viajar. Quando saía de manhã, não via a hora de pegar a estrada e ver os lugares lindos onde cresciam as frutas e as verduras. Pouca gente conhecia esses lugares. Na cidade, só ele sabia onde ficavam e como eram bonitos.
Um dia, ele estava voltando de viagem com a van lotada de frutas e verduras e chegando perto de uma barraca para descarregar, quando, de repente, a van derrapou. Estava tão cheia e pesada que ele não conseguiu parar. A van rodava sem controle. O motorista bem que tentou, mas não deu: a van era mais forte que ele. No fim, ela derrubou a barraca inteirinha no chão. A porta de trás se abriu e todas as frutas caíram em cima da dona da barraca. O motorista pulou da van e saiu procurando a feirante miudinha debaixo daquela montanha de laranjas e maçãs.
Depois de alguns minutos, veio uma vozinha lá debaixo das frutas: “Se você me ajudar a montar a barraca de novo e me der umas laranjas de brinde, eu te perdoo”. O motorista tirou mais uma laranja da pilha e apareceu o rosto da feirante: descabelada, um pouco suja, mas sorrindo. Ele ajudou a feirante a se levantar e, sem pensar duas vezes, deu nela um abraço bem apertado.
Ela levou um susto, não esperava aquilo. Toda encolhidinha nos braços enormes do motorista, perguntou envergonhada: “Por que você está me abraçando?”. “Porque estou feliz que não aconteceu nada com você. Fiquei muito preocupado”, respondeu o motorista, dando mais um último abraço. Depois, ajudou a feirante a arrumar tudo e deixar a barraca em ordem.
Desde então, toda manhã, quando entregava as frutas e verduras, era na barraca da sua amiga feirante que ele ficava mais tempo. Os dois sempre batiam um bom papo. E quando a feirante ficava triste, o motorista a levava para aqueles lugares maravilhosos onde ele buscava as frutas e verduras, que só ele conhecia. Isso sempre arrancava um sorriso dela, e ele ficava todo feliz. Ela era uma senhora miudinha e simples, de sorriso tímido; ele, grandalhão e forte. Tão diferentes, e mesmo assim os dois viraram amigos de um jeito muito especial.
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