
Histórias para Dormir
O gambá que finalmente encontrou uma amiga
O gambá Mateus não entendia muito bem por que as pessoas fugiam dele. Não entendia nem um pouquinho: afinal, ele nunca tinha feito mal a ninguém. Mas era assim: todo mundo que o via dava meia-volta na hora e ia para o outro lado, só para ficar o mais longe possível do Mateus. O Mateus ficava meio chateado, porque até um gambazinho às vezes precisa que alguém repare nele.
Tudo mudou quando o Mateus conheceu a Mariazinha. Na casa perto do bosque onde o bichinho morava, tinha se mudado uma família nova: a mamãe, o papai e duas crianças. O menino mais velho vivia andando de bicicleta e chutando bola e não ligava muito para a natureza. Já a irmãzinha dele, a Mariazinha, passava o dia inteiro fuçando em todos os cantos do bosque, na esperança de encontrar alguém especial.
E quando, um dia, ela espiou atrás de um montão de folhas, viu ali o Mateus, catando gostosuras debaixo das pedras.
— Bom dia — disse a Mariazinha.
— Nham, nham, nham… Bom dia — respondeu o gambá.
— Quem é você? Não conheço um bicho assim. Raposa você não parece. Para coelho, as suas orelhinhas são pequenas demais. E para esquilo, você é grande demais!
— Eu sou um gambá — respondeu o Mateus.
— Ai, ai, ai! — A Mariazinha deu um passo para trás. A mamãe tinha avisado para ela não chegar perto desses bichinhos, porque eles deixam a gente com um cheiro horrível, que nem banho tira. Ela já ia dar meia-volta, mas no fim a curiosidade e a gentileza falaram mais alto.
— E por que é que eu teria medo de você, afinal? Você não vai me fazer nada, não é? — A menina olhava para o bichinho, meio insegura.
— Se você não tiver medo de mim, eu também não vou ter medo de você — respondeu o gambá. — Sabe, a gente só usa a nossa arma fedida quando está morrendo de medo. Se as pessoas soubessem disso, talvez tratassem a gente de outro jeito!
— É mesmo? — admirou-se a Mariazinha. — Por que ninguém me contou isso? Então a gente pode ser amigos? Prometo que não vou te assustar!
E assim o Mateus e a Mariazinha, conversa vai, conversa vem, primeiro se deram muito bem e depois viraram amigos de verdade. A menina, claro, contou para os pais e para o irmão que tinha conversado com o gambá e que não precisava ter medo dele. Desde então, a família inteira cumprimentava o Mateus sempre que ele aparecia por perto. E o Mateus também acenava com a patinha toda vez que os via de longe.
E o que a gente aprende com isso? Não precisamos ter medo de quem ainda não conhecemos, nem quando os outros dizem que sim. Às vezes basta um pouquinho de coragem e de gentileza, e ganhamos um bom vizinho e, com sorte, até um amigo.
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