
Histórias para Dormir
A bola perdida
Naquela tarde, como em todas as tardes no acampamento de férias onde estava o Cris, os meninos jogavam futebol no campinho perto das barracas. Na verdade, aquilo nem era um campo, e sim um pequeno gramado que parecia quase um retângulo, e por isso todo mundo concordou que era perfeito para jogar bola. As traves e as linhas eles marcaram logo no primeiro dia do acampamento.
O azar é que em volta do gramado crescia um capim alto, que fazia tempo que ninguém cortava, e de um lado havia um montão de arbustos. Quando algum menino chutava a bola forte demais, depois tinham que tirá-la do meio do mato. Às vezes, a procura demorava um tempão. E dessa vez não foi diferente. O Paulo – o melhor amigo do Cris – adorava se mostrar, todo ágil e forte. Só que dessa vez ele exagerou, e a bola foi parar no maior arbusto do lado esquerdo do campo.
Os meninos vasculharam pedacinho por pedacinho de tudo em volta, principalmente os que estavam perdendo por um gol e queriam empatar logo. Procuraram em todos os arbustos, só faltavam os do outro lado do campo. Um punhado de meninos não desistiu e foi até lá. Quando o Paulo e o Cris afastaram os galhinhos, em vez da bola viram uma figurinha encolhida, com umas perninhas esquisitas e uns olhos enormes, que os encaravam do meio do mato escuro. Os dois deram um grito e saíram correndo o mais rápido que podiam de volta para o gramado. Todo mundo olhou para eles como se fossem malucos. Alguns acharam que eles tinham visto uma cobra ou uma aranha gigante.
Quando recuperaram o fôlego, os meninos contaram que tipo de criatura assustadora tinham visto, mas nem todos acreditaram. Outros três meninos criaram coragem e foram para o mesmo lado. Quando voltaram, disseram que não tinham encontrado ninguém – só que a bola também não.
As crianças voltaram para o acampamento decepcionadas. Ainda bem que a tristeza passou logo, porque ia ter uma grande fogueira. Todo mundo comeu, contou histórias engraçadas e jogou cartas. No fim, o monitor anunciou a hora de dormir, e todos foram para as suas barracas, ansiosos por mais um dia cheio de aventuras.
Que espanto foi quando, de manhã, encontraram a bola remendada com um curativo de folhas e uma espécie de papinha de barro! Um por um, examinaram a bola e concluíram que ela devia ter furado num galho. Perguntavam uns aos outros se alguém tinha achado e consertado, mas ninguém confessou. Afinal, à noite a bola não estava lá, e todos tinham dormido nas barracas. Nem os monitores conseguiam imaginar que alguém tivesse saído de noite – eles se revezavam na vigia e não tinham visto ninguém.
O Cris e o Paulo trocaram um olhar de cúmplices. Os dois pensavam a mesma coisa: aquela criatura, no fim das contas, era um bichinho bem simpático e prestativo, que devolveu a bola – e ainda por cima consertou. Mesmo com todo mundo intrigado, a turma ficou feliz, e à tarde pôde jogar mais uma partida no seu campinho!
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