
Histórias para Dormir
Lola, a cachorra super-heroína
Toninho era um menino de sete anos, comum, comum. Estudava numa escola comum, no primeiro ano. Como os outros meninos da idade dele, gostava de brincar de carrinho, chutar bola e assistir a desenhos de super-heróis. E também tinha uma cachorra, a Lola. Pois é. E aí começava o problema. A Lola era uma cachorra comum, comum. E o Toninho queria um cachorro super-herói, igualzinho ao do seu desenho favorito.
Os dias passavam, e nada indicava que a Lola tivesse algum poder escondido. É verdade que o Toninho tinha ensinado a ela alguns truques. Ele dizia:
— Senta! — e a Lola sentava. — Deita! — e a cachorrinha se deitava no chão, olhando com seus olhos verdes para o dono. — Busca! — e ela saía correndo o mais rápido que podia atrás do graveto ou da bolinha.
Mas continuava sendo só uma cachorra comum. Até que um dia tudo mudou.
Toninho estava voltando da escola com a mamãe e com a irmãzinha mais nova, a Zuzu. A Zuzu era pequenininha, tinha só dois aninhos, e muitas vezes deixava o Toninho bem irritado. Mas, como irmão mais velho, ele gostava muito dela e nunca deixaria ninguém fazer mal a ela.
Eles estavam passando por uma rua bem movimentada, a principal da cidade. A Zuzu ia o caminho todo pulando, e a Lola andava obediente ao lado deles. Toninho contava para a mamãe como tinha sido a escola:
— Sabe, mãe, hoje eu fui o único da turma que resolveu uma conta de matemática bem difícil. A professora me elogiou na frente de todo mundo. Mas, no recreio, eu briguei com o Juca, e aí já não foi tão legal.
— Filho, fico feliz que você esteja indo bem na escola, mas estou um pouco preocupada com o seu comportamento. Por que você brigou com o Juca? — quis saber a mamãe.
— Ah, eu não queria… Aconteceu sozinho. A gente discutiu sobre qual super-herói é o melhor, e aí foi tudo muito rápido.
A mamãe estava tão entretida na conversa com o Toninho que só no último instante viu que a Zuzu, que até então andava ao lado deles, estava chegando perto da rua. E, junto com a Zuzu, chegava também um carro, perigosamente rápido. A mamãe deu um grito assustado e correu atrás da menina. Mas não ia dar tempo de alcançá-la.
E foi aí que aconteceu uma coisa inesperada. Quem entrou em ação foi… a Lola! A cachorra, que até aquele momento trotava tranquila ao lado deles, chegou à Zuzu em poucos saltos e puxou a menina para trás com força. A Zuzu caiu na calçada e, poucos segundos depois, o carro passou pela rua. A mamãe chegou correndo e pegou a Zuzu no colo. A menina, ainda assustada, se agarrou bem forte na mamãe. E o Toninho foi até a sua cachorra e olhou para ela cheio de orgulho e admiração.
— Lola — disse ele —, você é a cachorra mais corajosa do mundo! Você salvou a minha irmãzinha!
Desde aquele dia, o Toninho nunca mais achou que a sua cachorra era comum. Sempre que falava dela, dizia: “Lola, a cachorra super-heroína.”




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