
Histórias para Dormir
Do diário do Olavo
Meu nome é Olavo. Tenho dez anos e gosto muito da natureza, principalmente dos animais. Também gosto de ir para as montanhas, de jogar xadrez e de encontrar os meus amigos. Estou no quarto ano. Vou bem na escola, faço a lição de casa todos os dias e sempre levanto a mão na aula. Os colegas são legais, a gente sempre joga futebol junto e se encontra depois da aula. Na turma, tem um menino de quem todo mundo gosta muito, e eu também – mas só de pouco tempo para cá. O nome dele é Leo.
Ele adora contar piadas, é alegre, e a professora diz que ele não para quieto. Antes, eu não suportava o Leo: ele me tratava como se eu fosse mais bobo que ele. Vou contar para vocês uma história que me fez mudar de ideia.
Uns meses atrás, a nossa turma da escola, ou seja, eu, o Nico, o Simão e o Caio, foi assistir a um jogo dos meninos mais velhos no campo da escola. Todos nós vestimos a camisa do nosso time e fomos torcer pelos “nossos”. Quando o jogo começou, a arquibancada ferveu. Cada um torcia pelos jogadores da sua escola. De repente, umas nuvens pretas se juntaram em cima do campo, começou a ventar forte e os assentos debaixo da gente sacudiam. O juiz parou o jogo até o temporal passar pela cidade. Eu e os meninos combinamos de nos esconder no vestiário da escola e esperar o temporal lá. Estávamos quase descendo da arquibancada quando o Leo apareceu na entrada principal. Ele também estava torcendo pelo time da nossa escola. Teve a ideia de a gente ficar na arquibancada e se esconder debaixo de uma lona grande de propaganda, perto da fileira de baixo. O Leo, como sempre, dizia que era o nosso chefe e sabia o que estava fazendo. O temporal, segundo ele, não ia pegar a gente de jeito nenhum, e a gente podia ficar zoando lá fora, no ar fresquinho. O Nico, o Simão e o Caio sempre obedeciam ao Leo e o achavam o máximo. O Leo repetiu que era o nosso chefe. Mesmo eu insistindo para a gente voltar para a escola, os meninos resolveram ficar na arquibancada. Como eles ficaram, no fim eu também me deixei convencer. Esperamos debaixo da lona por quinze minutos. O Leo contava piadas sobre as meninas da nossa turma, e eu esperava os relâmpagos e os trovões pararem. De repente, a lona levantou com tudo. Balançava para todos os lados e, num instante, se enrolou na direção do Simão. O Simão conseguiu pular para longe do rolo que caía, mas pertinho dele estava o Leo, rindo da cara dele. Não deu nem um segundo, e a lona se enrolou e desabou em cima do Leo. A gente ficou olhando, apavorado. Achamos que a lona tinha soterrado o nosso amigo piadista. Olhamos por baixo dela. E vimos a mão do Nico segurando, com muito esforço, a ponta da lona. Debaixo do pano estava o Leo. Num instante, o Leo conseguiu sair lá de baixo, o Nico largou a lona, e ela caiu no chão com tudo.
O Leo se levantou todo sem graça e, com a voz tremida, disse: — Pessoal, me desculpem de verdade. Nunca mais vou dizer que sou o chefe, nunca mais vou mandar em vocês nem convencer vocês a fazer coisas perigosas. A gente se olhou e deu uns tapinhas nas costas dele. O Leo entendeu que não se deve mandar nos outros nem convencê-los a fazer coisas sem juízo. E o verdadeiro “chefe” da nossa turma passou a ser o Nico.
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