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A hortinha de Lucas
Naquele ano, a primavera chegou mais cedo do que Lucas esperava. Já em março, o papai apareceu com uma pá e separou, perto da cerca, uma faixa de terra do tamanho certinho para ele criar uma horta.
“Esse espaço aqui vai ser só seu. É você quem vai escolher o que quer plantar”, disse o papai.
Lucas se agachou e ficou olhando para a terra marrom. Por enquanto, ainda não havia nada, mas ali seria sua hortinha, e ele gostava de imaginar como ficaria.
Ele passou o fim de semana inteiro folheando o catálogo de sementes que o papai trouxe da loja de jardinagem. Tinha muitas coisas, não só sementes, mas também outros apetrechos para plantar, além de conselhos e dicas. Ele descobriu que os tomates precisam de estacas, as abóboras se espalham por toda parte, e que é difícil tirar o mato do canteiro de cenouras.
No fim, ele se decidiu por alface, rabanetes e ervilhas. Porque as alfaces e os rabanetes crescem rápido e as ervilhas são interessantes, pois crescem para o alto e se agarram à cerca. Ele semeou as sementinhas em abril, seguindo as instruções do envelope. Os rabanetes em fileiras, as alfaces um pouco mais juntinhas, e as ervilhas ao longo da cerca. Depois, regou tudo e esperou.
Nos quatro dias seguintes, não aconteceu absolutamente nada. No quinto dia, também não. Lucas começou a ficar em dúvida se tinha plantado as sementes direitinho ou se elas estavam fundas demais. Mas, na manhã do sexto dia, ele viu as primeiras pontinhas verdes tentando atravessar a terra. Eram poucas e pequenas, mas estavam lá.
Depois, porém, surgiram algumas complicações. Durante uma semana, fez um calor fora do comum e o mato na sua hortinha cresceu quase da noite para o dia. Era baixinho, mas cheio, e se misturava com a alface de um jeito que quase não dava para diferenciar um do outro.
Lucas se ajoelhou e foi puxando com cuidado o que parecia ser mato. Entretanto, algumas vezes, ele arrancou também uma alface. Então Lucas foi pedir ajuda à vovó, pois ela tinha muita experiência com hortas. Ela se ajoelhou ao lado dele e pegou uma plantinha na mão.
“Isto aqui é beldroega. É uma erva daninha que dá para comer, mas você não vai querer ela na sua hortinha”, explicou a vovó.
Ela mostrou a ele como reconhecer o mato pelo formato das folhinhas e como arrancá-lo pela raiz, para que não crescesse de novo. Depois, Lucas capinou sozinho por mais ou menos uma hora, e no fim do dia o canteiro parecia completamente diferente.
Em maio, as ervilhas começaram a subir pela cerca. Lucas passou a admirar a horta todos os dias e dizia que era capaz de perceber o quanto elas cresciam durante a noite. As ervilhas iam se enroscando na cerca, cada vez mais alto, e Lucas registrava a altura com um lápis e, toda semana, fazia um novo risquinho.
Os primeiros rabanetes ficaram prontos no meio de maio. Lucas os colheu, lavou com a mangueira e os levou para a mesa do café da manhã. Eram pequenos e um pouco tortos, mas isso não fazia mal, porque era sua primeira colheita.
O papai comeu um e disse que estava delicioso. A vovó concordou com a cabeça. Lucas também provou um e teve de concordar: com certeza eram melhores que os do mercado.
A alface ficou pronta duas semanas depois. Lucas colheu tudo de uma vez, porque a vovó dizia que, se ela começasse a florescer, ficaria amarga. À noite, a mamãe fez uma salada com as alfaces para acompanhar o churrasco, e todos também gostaram muito. Lucas ficou contente com tudo que tinha dado certo na sua hortinha naquele ano e já pensava no que faria no ano seguinte.
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