Era uma vez um tanque enorme. Ele era muito forte e muito bem equipado, mas, até então, só ficava parado em uma grande fábrica.
Um dia, ele viu na televisão um programa que mostrava os tanques com toda a sua força. Eles tinham sido feitos para lutar na guerra. Mas isso não agradou nem um pouquinho ao nosso tanque, que se chamava Carlos.

Ele decidiu que seria diferente. Não queria machucar as pessoas, destruir a natureza nem ferir os animais. Queria levar alegria às pessoas e colocar sorrisos em seus rostinhos. Em vez de lutar pelo poder, escolheu lutar pela felicidade.
Fugiu da fábrica e começou a trabalhar. Em vez de um canhão com mira, construiu um caleidoscópio gigante. Foi um trabalho demorado, mas no fim ele conseguiu colocar lá dentro todos os pedacinhos coloridos e vidrinhos.
O passo seguinte foi adaptar seus motores para que não fizessem estrondo nem soltassem fumaça fedida. Ele fez isso com tanta habilidade que, em vez de fumaça, saíam dele nuvenzinhas de arco-íris cheias de brilho. Também adaptou seu interior para que as pessoas pudessem se sentar confortavelmente e se sentir bem lá dentro.
“Bom, isso já está resolvido”, pensou Carlos. “Agora preciso encontrar algumas crianças!”
Saiu e andou por muito tempo, até chegar a uma cidadezinha onde justamente estava acontecendo uma quermesse. Já de longe ele ouvia as risadas das crianças e a conversa alegre dos adultos.
Quando as pessoas viram o tanque se aproximando, primeiro se assustaram. Carlos percebeu a preocupação delas e então soltou a primeira leva de nuvenzinhas coloridas, com uma verdadeira chuva de brilhos. Isso, é claro, atraiu um montão de crianças e pais.
No começo, eles olharam o tanque com certa timidez, mas logo perceberam que não precisavam ter medo de Carlos.
Para deixá-los ainda mais tranquilos, Carlos os convidou a entrar. Os primeiros curiosos começaram a entrar no tanque e, quando viram que lá dentro havia um lindo caleidoscópio, não pensaram duas vezes. Eles viram uma mistura de cores que, sob a luz do sol, pareciam luzes brilhantes, lembrando uma galáxia no espaço. Assim que saíram, foram logo contar aos outros, cheios de entusiasmo, o que tinham visto.
Carlos ficou ali por várias horas, encantando todas as crianças e seus pais na festa. No fim, algumas pessoas decidiram que gostariam de dar um passeio com ele. Carlos concordou todo animado, acomodou todos e deu uma volta com eles pelo campo ali perto.
Pais e crianças voltaram para casa satisfeitos, e o tanque ficou feliz por ter encantado tanta gente. Ele decidiu que não usaria sua força para machucar ninguém, mas sim para tornar os dias das pessoas mais bonitos.