
Histórias para Dormir
As três rosas
Um mercador rico ia partir para buscar mercadorias em terras distantes, muito distantes. — Minhas filhas queridas, o que vocês querem que eu traga de lá? — perguntou às suas três filhas, quando já estava pronto para a viagem. As duas mais velhas logo souberam o que queriam. Uma, vestidos caros; a outra, anéis de ouro, mas daqueles que não existem em nenhum outro lugar. Só a caçula, sempre quietinha, ficou calada também dessa vez.
— E você? Diga alguma coisa também! — insistiu o pai. — Ah, meu querido paizinho, o que vai me deixar mais agradecida é o senhor voltar de além-mar vivo e com saúde — disse a filha. Só que o pai não queria nem se despedir dela antes que ela dissesse o que ele devia trazer.
— Então, se não tem outro jeito, que seja como o senhor quer. Se em algum lugar o senhor vir três rosas florindo num mesmo galho, traga para mim! É isso que vai me deixar mais feliz — disse ela, por fim. As irmãs mais velhas caçoaram dela por querer uma coisa tão simples, mas o pai prometeu e se despediu das filhas.
O mercador atravessou as terras de além-mar sem nenhum problema e tomou o caminho de casa. Os navios estavam cheios de mercadorias raras e de presentes caros para as filhas mais velhas. Ele não tirava os olhos deles, para que nada lhes acontecesse. Só o preocupava não estar levando nada para a caçula. Procurou feito agulha num palheiro, mas as três rosas num só galho ele não encontrou em lugar nenhum. De repente, caiu uma tempestade enorme, que espalhou os navios com as mercadorias caras sabe-se lá para onde. As ondas jogaram o mercador, agarrado a uma tábua, em cima de umas rochas desertas. Ainda bem que ele teve forças para se levantar e subir para as montanhas, senão as ondas o teriam levado também. Andou perdido muito tempo pelas montanhas desertas, até chegar a um castelo abandonado. — Aconteça o que acontecer, eu vou entrar. Não aguento mais andar mesmo.
Ele se aproximou do portão, e lá estavam uns guardas. Esperou que gritassem com ele, mas, chegando mais perto, descobriu que eram pessoas de pedra. E lá dentro do castelo era igual: tudo deserto e transformado em pedra. Escuridão por toda parte, só num quarto havia luz. Ele entrou e lá encontrou uma mesa posta e uma cama arrumada. Mal pôs o pé lá dentro, uma voz chamou pela janela: — Isto é para você. Coma, beba e descanse! — Ele olhou em volta para ver o que era, mas nada mais se mexeu. De manhã o mercador levantou, e a mesa estava posta de novo. Comeu para recuperar as forças e foi procurar alguém no castelo, ao menos para agradecer. Só que tudo estava deserto e de pedra como antes. Só na frente do castelo havia um jardim lindo, todo florido. Ele andou pelo jardim inteiro, mas também ali não encontrou ninguém. Já estava indo embora quando viu um galho grosso, do qual saíam três galhinhos mais finos, e em cada um havia um botão de rosa.
— Ah, são as três rosas para a minha filha caçula! — disse consigo, e colheu o lindo galho de rosas. Na mesma hora trovejou, e alguma coisa apareceu atrás dele. Ele se virou e, de susto, quase caiu. Na frente dele estava um urso enorme. O urso pôs a pata no ombro dele e disse: — Daqui você não sai vivo! Como se atreveu a colher o que não é seu? — O velho, apavorado, mal conseguiu gaguejar por que e para quem tinha colhido aquela rosa. — Se você tem uma filha assim, deixo você ir embora vivo. Mas só se me prometer trazê-la daqui a uma semana para ser minha esposa. — Ele não tinha escolha: prometeu e foi para casa. E em casa as duas filhas mais velhas nem quiseram olhar para o pai, porque ele tinha voltado de bengala, feito um mendigo, e não tinha trazido nada para elas. Só a caçula recebeu o pai com alegria, encheu-o de beijos carinhosos e disse: — Eu ficaria feliz com a rosa ou com qualquer outra coisa que o senhor me trouxesse. Mas o que mais me alegra é o senhor estar com saúde! Não faz mal que a gente tenha ficado pobre, ninguém morre por causa disso.
Quando o pai pensou que ia perder justamente a única filha que o tratava com carinho, ficou muito triste. No começo teve medo de contar a verdade à filha, para ela não morrer de susto. Mas a semana ia passando e não havia outro jeito. Ou ele morria, ou contava a verdade. Só que ela nem se assustou e disse: — Por que eu não me casaria com ele? Ele também é um ser vivo! E a culpa é minha, fui eu que pedi aquela rosa.
O pai se acalmou um pouco, mesmo com as filhas mais velhas caçoando de como a irmã tinha se dado mal por causa de uma rosa boba. O pai a levou até o castelo encantado, e lá ela ficou esperando. Só no terceiro dia, quando passeava no meio das rosas, trovejou. Apareceu o urso, e ela estremeceu, mas ele foi gentil com ela! — Seja bem-vinda, minha querida, seja bem-vinda. Você vai morar aqui comigo? — Por que não? — respondeu ela. Todo dia ela se encontrava com ele no jardim, e nem percebeu como foi se acostumando com ele. E sempre que trovejava de novo, ele sumia. E então, veja só o que aconteceu! Um dia o urso não apareceu. Ela procurou em cada canto do castelo e no jardim, até que encontrou o urso estendido no meio das rosas, sem se mexer e sem respirar. — Ah, meu ursinho querido, o que aconteceu com você? Você era tão bom para mim! — chorava ela. Cobriu-o de rosas e se preparou para ir embora.
— Não, não vou embora sem dar um beijo nele pelo menos uma vez — disse consigo. Voltou e deu um beijo nele. Na mesma hora a terra tremeu, e na frente dela estava um belo rapaz. Ele agradeceu e contou do seu encantamento: tinha sido transformado em urso, e todos os seus súditos tinham virado pedra, até que uma moça bondosa os libertasse. E no castelo começou uma festa, e a alegria durou por muito, muito tempo!
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