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As pequenas heroínas – história infantil

Histórias para Dormir

As pequenas heroínas

Alexia U.18 de outubro de 20268 min de leiturapara a pré-escola

Era fim de outono. Como todo ano, os dias ficavam mais curtos, o ar mais frio, e as matas em volta de Recanto Verde estavam cinzentas e peladas, sem folhas. Até em volta da casinha onde morava a Aninha dava para ver que o inverno estava chegando a passos largos.

A Aninha morava com a irmã e os pais numa casinha pertinho do velho moinho. O caminho até a casa passava por um bosque, e ao lado dele corria um riachinho. Era um cantinho lindo da natureza, cheio de bichos e plantas, longe da cidade grande.

Na vila de Recanto Verde moravam vinte famílias. Entre elas havia gente trabalhadora e honesta, mas também gente mesquinha, que não desejava nada de bom aos vizinhos.

A Aninha ia para a escola com as amigas e os amigos, bem no centro da pequena Recanto Verde. As crianças gostavam de ir à escola, porque a professora era muito querida e adorava fazer brincadeiras. Num dia de outono, voltando da escola, a Aninha e as amigas viram uma menininha triste sentada na porta da venda. Parecia ter a mesma idade delas. Usava um casaquinho fininho, uma calça velha e rasgada e sapatos com a sola descolando. A Aninha, um pouco tímida, perguntou por que ela estava ali sozinha e onde estavam os pais dela. A menina não quis falar. Ficava olhando fixo para a vitrine e desviava o rosto das meninas. Depois de alguns minutos, saiu da venda uma senhora de idade e chamou a menina bem alto: — Vamos para casa! A menina se levantou dos degraus de cimento e foi atrás dela. As meninas fizeram suas compras e foram para casa. A Aninha ficou pensando naquela menina por muito tempo. Imaginava onde ela morava, com quem, e por que estava tão triste.

Dois dias depois, voltando da escola, as meninas viram de novo a menininha na frente da venda. Ela segurava um papelzinho enrolado e não tirava os olhos dele. A Aninha ficou curiosa para saber o que estava escrito e perguntou: — Quer que eu te ajude a ler o que está escrito nesse papelzinho? A menina respondeu: — Esse papelzinho foi a mamãe que me deu. A vovó não quer ler para mim. Ela diz que, quando a mamãe voltar, ela mesma vai ler. Mas a Aninha não sossegou. — E se a sua mamãe foi para longe e ainda vai demorar muito para poder ler para você? — perguntou ela. A menina pensou um pouco e depois disse: — Está bem. Você parece ser uma menina boazinha. Lê para mim o que está escrito no rolinho. A Aninha começou a ler, emocionada: “Emilinha, fui passar um ano com a tia Susana, na capital. Você vai ficar com a vovó Vera em Recanto Verde. Vou trabalhar para juntar um dinheirinho para roupas novas para você, para comida e para uma casa nova. Obedeça à vovó e fique grudadinha nela. Com amor, sua mamãe Maria.” A menina ficou tristinha, e a tristeza voltou a tomar conta do rostinho dela. — Emilinha, você só vai ficar mais um mês com a vovó, e depois a sua mamãe volta — disse a Aninha. — Isso passa voando. A menina sorriu para a Aninha e se virou para a avó, que estava saindo da venda. Depois as duas foram embora para casa. A Aninha, a Olívia e a Paulinha começaram a conversar sobre a pequena Emilinha. — Fico com o coração apertado de ver aquele rostinho triste. Será que a gente não podia fazer alguma coisa para alegrar a Emilinha? — perguntou a Aninha. — Que boa ideia! — disse a Olívia. — E se a gente tentasse juntar um dinheirinho para roupas novas para a Emilinha? Ou ajudasse a mãe dela a economizar para a casa nova? — Então mãos à obra! — respondeu a Aninha. — Vamos fazer uma vaquinha na escola e na porta da venda. Quando chegaram em casa, as meninas começaram a preparar tudo. A Aninha fez biscoitos com a mamãe, a Olívia ajudou a avó a costurar roupas novas para a Emilinha, e a Paulinha juntou os brinquedos com que já não brincava mais. No dia seguinte, as meninas começaram a arrecadar o dinheiro. E descobriram que havia muita gente boa por perto. Na escola, as crianças compravam os biscoitos da Aninha, e o dinheiro ia para a vaquinha. As professoras da creche ali perto compraram os brinquedos da Paulinha. O dinheiro não parava de aumentar.

As meninas sabiam a que horas a Emilinha ia à venda com a avó, então ficaram esperando na porta. Nas mãos, levavam as roupas que a Olívia tinha costurado com a avó. Quando a avó e a Emilinha chegaram, as meninas entregaram o presente. Os olhos da avó se encheram de lágrimas, e a pequena Emilinha abriu um sorriso de orelha a orelha. Os pais das meninas também vieram e entregaram à avó o dinheiro arrecadado para a casa nova. A avó agradeceu muito, muito mesmo. Virou-se para os pais das meninas: — Queridos pais! Vocês têm filhas maravilhosas. Graças a elas, a mãe da Emilinha vai poder voltar para ela muito antes. Vai arrumar um trabalho aqui pertinho e, com o dinheiro que vocês juntaram, vai consertar a casa. É que, no ano passado, a casa delas pegou fogo, e desde então a vida está muito difícil. Nunca ninguém tinha sido tão bondoso com a gente.

A Aninha, a Olívia e a Paulinha voltaram para casa com os pais. Por muito tempo, em Recanto Verde, não se falou de outra coisa a não ser do que as meninas tinham feito. E elas entraram para a história da vila como as pequenas heroínas de Recanto Verde.

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