Depois de sete montanhas e sete vales, havia uma terra grande e ensolarada, governada por um rei que tinha um único filho, o príncipe Martin. Ele quase sempre viajava para terras onde seu pai já não conseguia ir, cuidava dos desejos do povo e da cobrança dos impostos.
Mas, quando viu que seu pai estava ficando mais fraco, pensou que já era hora de encontrar uma noiva para governar o reino junto com ele. Ele não queria qualquer moça, e sim uma que fosse sábia, estudiosa, bondosa e bonita. Então, ele percorreu todo o seu país, mas não encontrou nenhuma moça que lhe agradasse.

Enquanto o príncipe se lamentava na pracinha, um senhor mais velho o escutou. Ele se aproximou e disse:
“Olá, jovem. Eu sei onde você pode encontrar uma moça do jeitinho que você deseja. Existe uma menina que é linda e esperta, mas mora do outro lado do mar.”
“Ela mora do outro lado do mar? E ela é mesmo assim como o senhor diz?”, perguntou o príncipe, curioso.
“É verdade. Os cabelos dela são dourados como uma estrela brilhante, os olhos azuis como um riacho e dizem que ela tem resposta para tudo. Ela até ajuda as pessoas da região, aquelas que não sabem quem pode aconselhá-las”, contou o homem.
O príncipe acabou se convencendo, agradeceu ao homem e foi descansar em casa. No dia seguinte, partiu em uma longa viagem. O príncipe Martin foi até o porto, onde um barco de velas brancas já o esperava.
O vento soprava de maneira favorável e o mar cintilava ao sol como mil moedas de prata. Mas, logo que o barco se afastou da margem, nuvens pesadas começaram a se juntar. O mar escureceu, o vento ficou mais forte e caiu uma chuva tão intensa como os marinheiros nunca tinham visto.
O barco balançava nas ondas, os raios iluminavam os rostos assustados dos homens, e todos rezavam para conseguirem ver o amanhecer. Mas Martin não ficou com medo. Ele tirou o timoneiro, que já estava sem forças, e pegou o leme nas próprias mãos. Firmou-se contra o vento, gritava ordens e procurava no escuro o caminho pelas estrelas, que só apareciam de vez em quando entre as nuvens.
E, quando tudo já parecia perdido, ele exclamou:
“Não vamos ter medo! Quem acredita na luz, não será engolido pela escuridão!”
Nesse momento, o vento de repente se acalmou, os relâmpagos pararam e o barco, por um milagre, apareceu na beira-mar de uma terra desconhecida. Nessa terra vivia a princesa sobre quem o velho tinha falado. Mas, quando Martin pediu para se encontrar com ela, a princesa mandou dizer:
“Somente quem for sábio e justo pode entrar no meu palácio. Quem quiser pedir minha mão precisa cumprir três tarefas.”
A primeira prova foi a prova de sabedoria. A princesa fez para ele uma charada sobre o que é mais precioso no mundo, algo que não se pode comprar nem conquistar à força.
Martin pensou por um instante e respondeu:
“É a confiança. Sem ela, não há paz nem amor.”
A princesa sorriu. A resposta estava certa.
A segunda prova foi a prova de coragem. Nos jardins do palácio, havia uma fera selvagem e furiosa que ninguém conseguia domar. Martin se aproximou dela sem armas, calmamente, e sussurrou palavras de paz. No final, a fera se deitou aos pés dele como um cachorro fiel.
A terceira prova foi a prova do coração. Na aldeia embaixo do castelo, começou um incêndio, e Martin correu para ajudar as pessoas sem hesitar, mesmo com o fogo queimando como o inferno.
Quando voltou, todo sujo de fuligem e cansado, a princesa lhe disse:
“Agora sei que sua sabedoria não está só nas palavras, mas também nas ações.”
E assim o príncipe Martin se casou com a princesa de além-mar, e juntos governaram com sabedoria, justiça e um coração bondoso. E, quando à noite as estrelas brilhavam sobre o mar, ele contava para seus filhos como um dia enfrentou uma tempestade para encontrar não só o amor, mas também a sua coragem.