
Histórias para Dormir
Amigos da floresta negra
Lá depois da montanha de gelo e da floresta negra, existe um pequeno reino. Ali mora um rei muito sábio, que tem dois filhos lindos e levados. A menina se chama Rosinha. Ela tem olhos castanhos da cor de avelã e cabelos compridos, pretinhos como as penas de um corvo. As bochechas dela vivem vermelhinhas, e a saia, sempre suja de lama.
O menino se chama Joãozinho. O cabelo castanho dele fica espetado feito um monte de agulhinhas, e ele está sempre com um sorriso no rosto. O pai, o rei, ama muito os dois. E, como as crianças são agitadas e arteiras, ele já viveu um monte de aventuras com elas. Hoje ele sabe que não precisa se preocupar, porque os filhos têm amigos que cuidam deles e os ajudam. E como é que ele sabe disso?
Numa tarde bonita, as crianças resolveram brincar de esconde-esconde, que era a brincadeira preferida delas. E revezavam direitinho: uma hora um contava, outra hora o outro se escondia. Enquanto Joãozinho contava, Rosinha correu o mais longe que pôde para achar um bom esconderijo. Ela foi parar pertinho da floresta negra. Lá de longe, via Joãozinho procurando por todo lado, sem conseguir achá-la. Ela se agachou atrás de uma pedra grande e tentou se esconder inteirinha. Mas, nessa hora, o musgo e as folhas onde ela estava pisando afundaram, e Rosinha escorregou para um lugar desconhecido. Ela não conseguia parar. Tentava se agarrar em alguma coisa, mas não dava. De repente, caiu no chão. Estava tudo escuro. Joãozinho estava longe e, por mais que ela chamasse, ele não ouvia. Ela olhou em volta e, de repente, viu dois olhos brilhando no escuro, bem pertinho dela.
Rosinha estava com medo, mas queria muito descobrir quem estava ali. Chegou mais perto, esticou a mão e torceu para não acontecer nada de ruim. Ouviu um rosnado baixinho. Sentiu um focinho gelado na palma da mão, e um arrepio subiu pela espinha. Que medo! “Não tenha medo, não quero te machucar”, sussurrou alguém bem baixinho. Com muito cuidado, ela foi tentando enxergar quem era. Aos pouquinhos, um lobo saiu da escuridão. Rosinha ficou paralisada. Não sabia o que fazer.
Mas o lobo fez uma coisa que ela não esperava. Chegou bem devagarinho e enfiou a cabeça debaixo da mão dela, como quem diz que não havia nada a temer. Rosinha sentiu um alívio enorme. Um calorzinho gostoso tomou conta dela, como se existisse uma mágica entre os dois. Ela sabia que o lobo não ia lhe fazer mal. “Você me ajuda, por favor?”, pediu, toda tímida. O lobo puxou a menina pela manga e foi levando-a por um túnel no meio da floresta negra. Pouco depois, ela viu umas luzes. Eram tochas nas mãos das pessoas do reino, que estavam procurando a princesinha. Rosinha se ajoelhou ao lado do seu salvador, deu um abraço bem apertado nele e prometeu: “Nunca vou me esquecer de você. Obrigada!” O lobo respondeu com uma lambida no rosto dela e sumiu de volta na floresta negra.
Quando Rosinha contou tudo para o pai e o irmão, o rei só sorriu. Ele sabia que, na floresta negra, viviam amigos que reconhecem quem tem bom coração. E sabia também que aquela não seria a última vez que os amigos bichos iam ajudar os seus filhos. Como sinal de amizade e de agradecimento, todo dia o rei passou a levar os petiscos mais gostosos para os lobos da floresta negra.
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