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A esquila despreocupada que aprendeu uma lição – história para dormir

Histórias para Dormir

A esquila despreocupada que aprendeu uma lição

Sofia P.12 de setembro de 20266 min de leitura

Como todos sabemos, as pessoas são diferentes umas das outras. Umas pensam no dia de amanhã, outras vivem com a cabeça nas nuvens e não pensam no que vem depois. Mas nem todo mundo sabe que com os bichinhos é igualzinho.

A esquila Renata não gostava muito de trabalhar. Preferia dormir até o meio-dia e depois ficar beliscando os grãozinhos do comedouro dos passarinhos. Enquanto as outras esquilas, todas trabalhadeiras, juntavam nozes e todo tipo de sementinha, a Renata ficava esparramada nas árvores, com preguiça, ou descansava no buraco da árvore, enroladinha feito novelo. Ela ainda era uma esquila bem novinha, por isso não entendia muito bem por que as irmãs dela se esforçavam tanto, e no fundo achava aquilo esquisito.

Assim passou a primavera. No verão, as esquilas da floresta inteira faziam estoque de comida e trabalhavam ainda mais do que antes. Mas a Renata, é claro, não. Passava os dias sentada no galho mais alto do pinheiro mais alto, olhando os pássaros que passavam voando. “Para onde será que eles vão?”, pensava.

Quando chegou o outono, a maioria das esquilas tinha um belo estoque, que daria tranquilamente não para um, mas para dois invernos. Só que, para aqueles bichinhos trabalhadores, ainda não era o bastante, e eles continuavam juntando as frutinhas da floresta, todos animados, e levando para os seus esconderijos. A Renata, enquanto isso, ficava num galho perto da estrada contando os carros que passavam. “Um, dois, três…” No quarto, quase sempre se confundia e tinha que começar de novo. É que as esquilas não são lá muito boas de conta.

Naquele ano, a primeira neve caiu cedo, sem ninguém esperar. Assim que a floresta se cobriu com um edredom branco, veio um frio de rachar. “Não tem jeito, preciso me cobrir com alguma coisa”, pensou a Renata. Só que ela não tinha nada à mão. Quando as outras esquilas juntavam capim seco para forrar os seus buracos, ela estava ouvindo o canto dos passarinhos e o coaxar dos sapos. Depois de uma noite muito fria, finalmente amanheceu, e a Renata, congelada, estava com uma fome enorme. Mas nas árvores já não havia nada para comer.

Querendo ou não, a Renata teve que pedir ajuda. Então bateu no buraco da família de esquilas que morava ao lado. — Com licença, vocês por acaso têm alguma coisinha para comer? — perguntou, tremendo inteirinha de frio. Outros bichos talvez gritassem com ela, dessem um sermão ou rissem dela, dizendo que a culpa era dela mesma. Mas as esquilas não são assim. Os vizinhos dividiram de bom grado com a desajeitada Renata o estoque deles, que, aliás, era até grande demais. Deixaram que ela ficasse com eles no buraco da árvore o inverno inteiro. Ficou um pouco apertado, mas em compensação bem quentinho. As esquilas tinham pena da Renata, mas não estavam bravas com ela. Acreditavam que ela mesma ia aprender a lição.

Depois dos meses brancos e frios, veio o degelo. Por baixo da neve apareceram as primeiras florzinhas, e os galhos ficaram verdes de folhinhas novas. Primavera! Mas naquela primavera e naquele verão a Renata não ficou só apreciando a paisagem. Assim que as primeiras sementinhas apareceram nas árvores, ela logo começou a fazer estoque para o inverno seguinte. Tinha aprendido direitinho que precisava se preparar bem. E também queria retribuir a ajuda daquela família de esquilas tão bondosa. Naquele ano, ela foi a esquila mais trabalhadeira da floresta inteira, e assim descobriu uma coisa incrível. O tempo que passava trabalhando não tirava nem um pouco a alegria de olhar para o céu, contar os pássaros e ouvir os sapos. Pelo contrário: depois de um trabalho bem-feito, ela aproveitava o descanso muito mais.

Como todos sabemos, as pessoas são diferentes umas das outras. E as esquilas também costumam ser. Umas pensam no dia de amanhã, outras vivem com a cabeça nas nuvens e não pensam no que vem depois. Mas nem todo mundo sabe que as esquilas e as pessoas podem aprender a juntar as obrigações com as alegrias, sejam quais forem os erros que cometeram antes. Principalmente quando encontram amigos que acreditam nelas.

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