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A Agatinha que foi parar dentro do jogo
A Agatinha estava num tédio danado. Não tinha vontade de estudar nem de ler, mesmo com o quarto cheio de livros interessantes. Ajudar a mamãe e o papai também não tinha graça nenhuma. Ela podia ir lá fora brincar com as outras crianças, mas só de pensar nisso, nem isso parecia bom o bastante. O que é que podia acontecer de novo lá fora?
O computador, ah, isso era outra história! O que a Agatinha mais gostava no mundo era de sentar no computador e jogar. Naquelas terras mágicas ela podia ser quem quisesse: um cavaleiro corajoso, um mago sábio ou uma super-heroína que salva o mundo do perigo. Ali não tinha tédio, e por isso, sempre que podia, a Agatinha sentava no computador e mergulhava num mundo de fantasia incrível.
Assim foram passando as horas, depois os dias e as semanas. Até que um dia, quando a menina olhava para a tela com tanta atenção que não via mais nada em volta, o ar tremeu de leve. A fronteira entre o jogo e o quarto sumiu de vez, e a Agatinha foi parar bem dentro do mundo do seu jogo. Ela estava tão concentrada que no começo nem percebeu que alguma coisa estava diferente. Mas quando entendeu o que tinha acontecido, ah, aí sim! Que demais! Agora ela podia jogar quanto tempo quisesse e nunca mais ia ficar entediada.
Aí chegou a noite, e a Agatinha pensou que a mamãe com certeza tinha feito um jantar gostoso e que estava na hora de voltar. Ainda mais porque a barriguinha já estava roncando de fome. Só que como voltar para casa? O mundo em volta parecia igualzinho ao de verdade, e quando ela perguntava às pessoas o caminho de volta, elas só olhavam espantadas e encolhiam os ombros.
A Agatinha andou por todos os caminhos e falou com todas as pessoas, até que viu, lá longe, uma cidadezinha com uma estradinha estreita que levava até ela. É a minha cidade! O coração da Agatinha disparou, e ela saiu correndo para chegar logo em casa.
Bateu na porta da primeira casa à direita. Quem abriu foram duas pessoas bem velhinhas, e no começo ela não as reconheceu. Até que… mas são os vizinhos! Só que parecia que tinham envelhecido um montão de anos. Aí a menina começou a ficar preocupada. Se o tempo já voava quando ela jogava horas e horas todo dia, imagine agora, que ela estava dentro do jogo! E se em casa ele também estivesse passando depressa assim? E se ela nunca mais voltasse? O senhor velhinho olhou para ela sem entender. Não a reconheceu, e a Agatinha ficou com medo.
Saiu correndo para a rua, com vontade de chorar. Mas, por sorte, os jogos bonzinhos não maltratam as crianças que se encantam demais com eles. Bastou a menina gritar bem alto e bem claro: “Quero sair do jogo!”, e na mesma hora sentiu um vento forte levando-a embora. O vento soprou só um instantinho, e a Agatinha ficou com os olhos bem fechados.
Quando abriu, ufa, estava em casa! Que alívio! E agora?
Primeiro ela correu para abraçar a mamãe e o papai. Eles estranharam um pouco, mas ficaram muito contentes porque a filha finalmente tinha saído do computador.
Depois a Agatinha olhou para o computador de cara feia. Tinha levado um susto e tanto, e primeiro decidiu que nunca mais ia chegar perto dele. Mas aí reparou que, debaixo do mouse, havia um livrinho pequeno, amarrado com um laço, feito presente. Na capa estava escrito: “Manual para jogar com juízo”. E embaixo, com letrinhas menores: “Usar só uma hora por dia!”
Tá bom, pensou a Agatinha. Agora com certeza não vou mais ficar entediada. Está na hora de aprender uma coisa nova.
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