
Histórias para Dormir
Os duendes do rio
Bem longe daqui, tem uma vilazinha muito bonita. Lá tem umas casinhas de telhados coloridos, algumas árvores e um montão de flores. Em volta da vila corre um riozinho. Parece um rio como outro qualquer, mas pouca gente sabe que ele é a casa dos duendes do rio. As casinhas deles ficam escondidas ao longo de toda a margem: são uns quartinhos e corredores cavados bem debaixo do barranco.
Os duendes do rio moram pertinho da água porque precisam dela. Toda manhã e toda noite, eles se sentam bem na beirinha e molham os pezinhos na água. É isso que dá a eles a umidade e a energia de que precisam para ficarem fortes e saudáveis. Mas um dia aconteceu uma coisa que ninguém esperava.
Era uma manhã tranquila. Os duendes ainda estavam dormindo quando, de repente, as casinhas começaram a tremer, como se fosse um terremoto. Eles pularam da cama assustados, sem entender nada. Logo depois, ouviram um barulhão. Alguma coisa estava chegando, mas eles ainda não sabiam o quê. E então veio: uma onda enorme invadiu as casinhas e arrastou tudo o que encontrou pela frente. Caminhas, mesinhas, a comida guardada… e levou até os próprios duendes.
Os duendes nunca tinham visto tanta água. Ficaram todos juntinhos, balançando nas ondas, que os levavam para longe. No caminho, só olhavam tristes as casinhas se enchendo de água e tudo ficando diferente do que era antes. Depois de um tempo, conseguiram chegar à margem. Estavam todos bem, ninguém tinha se machucado. E, o mais importante, estavam juntos. Mas e agora?
Um dos duendes não quis desistir e disse: “Não se preocupem, a gente vai dar conta. Primeiro precisamos descobrir o que aconteceu, depois construímos casinhas novas para ter onde morar. Vamos lá, juntos a gente consegue!” E lá foram eles rio acima, para descobrir de onde tinha vindo uma onda tão grande.
Quando já estavam chegando, ouviram uma barulheira: marteladas, serrote e um pisoteio. Lá em cima, no rio, estavam os castores, trabalhando sem parar. Eles estavam construindo uma barragem para acalmar o rio. Os duendes chegaram perto e perguntaram o que tinha acontecido. Os castores explicaram que tinha descido muita água das montanhas e, como ali não havia uma barragem de verdade, formou-se uma onda enorme que foi levando tudo pela frente. Agora eles estavam tentando segurar a água, para o rio voltar a ser calmo e pequeno.
Os duendes não perderam tempo e logo puseram a mão na massa também. Trabalharam duro o dia inteiro para ajudar os castores e, quando a noite foi chegando, a barragem estava pronta. O rio já não estava tão bravo e perigoso. O trabalho tinha terminado, mas os duendes estavam cansados e não tinham onde dormir.
“Sabem de uma coisa? Como vocês ajudaram a gente, podem dormir lá em casa. E amanhã é a nossa vez de ajudar vocês a construir casinhas novas perto do rio!”, disseram os castores.
Os duendes do rio ficaram felizes da vida: tinham amigos novos e um lugar para passar a noite. E mal podiam esperar pelo dia seguinte, quando teriam casinhas de novo. Antes de dormir, ainda molharam rapidinho os pés no rio, para pegar bastante umidade, e depois dormiram contentes. No dia seguinte, os castores ajudaram mesmo a construir quartinhos e corredores novos na beira do rio.
Desde então, a onda grande nunca mais voltou. É que os castores e os duendes ficavam de olho para a barragem continuar firme. E, de tanto se ajudarem, não foi só a barragem que ficou mais forte: a amizade entre os castores e os duendes também.
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