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Contos para crianças - Sobre Florinda, a menina que não queria escovar os dentes

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Florinda, a menina que não queria escovar os dentes

Era uma vez uma menininha muito bonita. Ela se chamava Florinda. Tinha cabelos lindos, um lacinho bonito na tiara e uns vestidinhos maravilhosos. Só uma coisa ela detestava mais do que tudo no mundo: escovar os dentes.

Quando a mamãe trazia a escova à noite, Florinda fechava a boca bem fechadinha e se escondia debaixo do cobertor. “Hoje não”, resmungava. “Amanhã.” Só que no dia seguinte dizia a mesma coisa. E no outro também.

Os pais conversavam com ela, inventavam musiquinhas e prometiam uma historinha a mais, mas nada adiantava. Um dia de manhã, Florinda chegou a jogar a escova pela janela. Ela caiu bem no canteiro de prímulas e lá ficou.

No começo parecia que nada tinha mudado. Mas restinhos de comida foram ficando entre os dentinhos de Florinda, e a boquinha dela já não tinha um cheirinho bom. Quando ela ria na escolinha, a amiga Bia tapava o nariz de mansinho. E o cachorrinho Patinha, que sempre lambia o rosto dela, espirrou e correu para a casinha.

Florinda não entendia nada. Afinal, ela tinha os vestidos mais bonitos de todas as meninas!

E assim os dias foram passando. Certa manhã, Florinda acordou e um dentinho lá do fundo começou a incomodar. Não doía muito, mas não parava de dar sinal, como alguém batendo na porta sem parar.

— Mamãe — sussurrou Florinda —, tem uma coisa fazendo toc-toc aqui dentro.

— Isso é coisa para a dentista resolver — disse o papai, fazendo carinho no cabelo dela.

Florinda ficou com um pouquinho de medo. No caminho todo, foi apertando a mão do papai e, na sala de espera, sentou no colo da mamãe. Na parede tinha um desenho de um dentinho sorridente com uma escova na mão no lugar da varinha, como se fosse um mágico.

A dentista era uma moça alegre, de óculos pendurados num cordãozinho. “Oi, Florinda! Eu só vou dar uma olhadinha para ver se os seus dentinhos estão recebendo visita”, disse ela. “Você abre a boca bem grandona para mim, igual a um hipopótamo?”

Florinda ficou na dúvida, mas gostou da ideia do hipopótamo e abriu a boca o máximo que pôde. A dentista iluminou tudo com uma lampadinha e deu um espelhinho para ela segurar.

— Está vendo essas manchinhas brancas e amarelas? Aqui moram uns duendezinhos do açúcar. Eles adoram restinhos de bolo e de bala e, mais que tudo, escurinho e sossego. Se a escova não põe os duendes para correr, eles começam a roer os dentinhos. É por isso que aquele lá do fundo está incomodando.

— E a senhora consegue espantar eles? — perguntou Florinda.

— Hoje eu vou limpar o seu dentinho e consertar um buraquinho, para ele parar de incomodar — disse a dentista, sorrindo. — Mas todo dia quem vai pôr os duendes para correr é você. De manhã e à noite. A escova é como uma vassoura para eles.

Foi rapidinho. Zumbiu um pouco, fez umas cócegas e, antes de Florinda contar até vinte, já tinha acabado. Por ter sido tão corajosa, Florinda ganhou da dentista uma escova nova com uma margarida e um tubinho de pasta de morango.

À noite, pela primeira vez em muito tempo, Florinda escovou os dentes sozinha. O papai colocou uma musiquinha que dura exatamente dois minutos, e Florinda esfregou em cima, embaixo, na frente e atrás, para nenhum duende ficar escondido. Depois sorriu para o espelho, e os dentinhos brilhavam como pérolas.

De manhã, na escolinha, a Bia pegou na mão dela, e o Patinha voltou a lamber o rosto dela. E a escova que caiu no canteiro? O papai achou, e agora quem mora nela, lá no jardim, é uma joaninha. Florinda se lembra dela toda manhã, quando pega a escova nova.

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