Quando começa a anoitecer, as pessoas abrem as janelas para arejar a casa. Assim, a casa fica com um ar fresco e agradável, perfeito para pegar no sono. Só que este ano está diferente. Mal escurece, surge um zumbido.

Os mosquitos estão por toda parte. Eles voam perto das luzes, mas logo em seguida vão direto até as pessoas. As pessoas abanam as mãos, fecham as janelas e resmungam que não se lembram de um verão com tantos mosquitos assim.
Na copa de uma velha figueira, pertinho da cidade, um morceguinho fica pendurado e escuta o burburinho da cidade inteira e da natureza. Ele se chama Theo e ouve tudo. Não só as vozes das pessoas, mas também sons que elas não conseguem ouvir. O zumbidinho fino dos mosquitos e até a conversinha deles, e por isso sabe que, este ano, os mosquitos estão mais alegres e mais barulhentos. Theo sabe que isso não é normal.
“Tem mosquitos demais,” murmura ele.
Antes, os morcegos sobrevoavam a cidade todas as noites. Caçavam insetos em silêncio e sem chamar atenção. E assim, ajudavam as pessoas a dormirem mais tranquilas. Só que o velho celeiro onde os morcegos dormiam foi fechado e reformado há pouco tempo. As pessoas o consertaram, e os morcegos tiveram de ir embora. Alguns voaram para longe, outros se esconderam onde dava. E Theo ficou na beira da cidade, quase sozinho.
Numa noite, ele decidiu que não queria mais ficar só pendurado, observando as pessoas sofrerem. Ele voou baixinho sobre os jardins. Os mosquitos estavam por todos os lados ao redor dele. Theo abriu a boquinha, soltou um assobio curto e fraquinho e saiu para caçar. Um mosquito, outro, o terceiro. Mesmo sozinho, fazia aquilo que sabia fazer. Mas logo percebeu que havia mosquitos demais.
“Sem os outros, não vai dar”, pensou ele.
Então mudou de direção e voou até a velha ponte, onde alguns morcegos estavam escondidos embaixo de um dos arcos.
“Precisamos voltar para perto das pessoas. A cidade precisa de nós”, disse ele aos outros.
Os morcegos hesitaram por um instante. Afinal, tinham sido obrigados a deixar seu antigo abrigo. Mas a noite estava quente, e eles também sabiam que este ano havia muito mais mosquitos do que de costume. Por fim, um a um, eles levantaram voo e seguiram Theo de volta para a cidade.
Sobre a cidade, asas silenciosas apareceram de novo. Os morcegos voavam em círculos, caçando, e a noite aos poucos se acalmando. As pessoas nem perceberam o que estava acontecendo. Apenas notaram que podiam voltar a dormir com as janelas abertas.
Na manhã seguinte, tudo estava tranquilo. Theo ficou pendurado em seu novo esconderijo debaixo do telhado e fechou os olhos. Ele sabia que quase ninguém via os morcegos. Mas também sabia que, sem eles, o verão seria muito menos agradável. E isso já era recompensa suficiente.