Brincadeira de pirata caçando tesouro

Um navio navegava pelo mar. Ao leme estava seu capitão, o terrível pirata Caramelo. Não se deixem enganar pelo nome: ele era terrível de verdade. Ele usava um tapa-olho preto, um chapéu com uma longa pena na cabeça e vestia um casaco surrado. A maior parte do tempo, um papagaio falante chamado Fifi ficava pousado em seu ombro.

“Estou vendo ali a ilha do tesouro!”, comemorou o capitão Caramelo.

“Vamos ter que cavar… de novo essa trabalheira”, resmungou o papagaio Fifi.

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Brincadeira de pirata caçando tesouro

Logo eles atracaram na ilha. Exatamente como o papagaio tinha previsto, o capitão e seus comparsas pegaram as pás e, seguindo um mapa antigo, procuraram onde começariam a cavar. Depois de andarem um pouco, o pirata Caramelo desenhou uma cruz na areia. Ali eles cavaram e cavaram, até esbarrarem em um baú.

“Tesouro! Estava aqui! Vou ficar rico!”, comemorou o pirata Caramelo.

Mas, quando abriram o baú, Caramelo empalideceu. O papagaio caiu na gargalhada.

“O rico capitão encontrou um sapato!”, grasnou Fifi.

Caramelo ficou vermelho de raiva.

“Alguém deve ter chegado antes da gente e fez a maior gozação com a nossa cara”, esbravejou. “Mas eu não vou deixar isso assim. Ainda tenho outro mapa do tesouro, um lugar onde com toda certeza ninguém foi ainda. E desta vez eu vou ser o primeiro.”

Os piratas zarparam em busca de outro tesouro. Encontraram outra ilha, marcaram o lugar e começaram a cavar. De novo desenterraram um baú. E, quando o abriram, encontraram outra vez um sapato lá dentro.

“Ah, isso já é demais! Por todos os caranguejos do mar! Eu é que deveria ter chegado primeiro!”, resmungou o capitão Caramelo.

“Você tem dois sapatos”, lembrou o papagaio.

“Mas cada um é diferente. E os dois são do pé esquerdo. Nem posso usar isso.”

Então Caramelo navegou até uma vilazinha pirata, onde queria arrancar de alguém o mapa de um tesouro que ninguém ainda tivesse encontrado. Não precisou perguntar por muito tempo.

“Vendo mapas do tesouro”, disse um senhor muito rico. “É só dar uma olhada e ver qual você gosta.”

Caramelo examinou os mapas. Reconheceu dois deles na mesma hora.

“Eu já estive nesses dois lugares. Encontrei o tesouro, mas dentro dos baús só havia tralhas velhas.”

“Isso não é possível. Todos são mapas de baús cheios de ouro!”, espantou-se o ricaço.

“Onde você conseguiu esses mapas?”, perguntou o pirata Caramelo.

“Comprei de um pirata. Você provavelmente não sabe de onde vêm os tesouros, né?”

“Alguém enterra o ouro e marca o lugar num papel. E quando o papel se perde e alguém o encontra, acaba achando o tesouro”, disse Caramelo.

“Bom, então teríamos pouquíssimos tesouros. E mesmo assim eles despertam grande interesse. Sabe de uma coisa? Tente seguir o pirata Botelho. Tenho certeza de que ele vai acabar te levando até um tesouro”, disse o ricaço, caindo na risada.

Caramelo não entendeu o que havia de tão engraçado. Mesmo assim, no dia seguinte partiu pelo mar, seguindo o navio do pirata Botelho. Depois de alguns dias, o navio chegou a uma pequena ilha e lançou âncora.

Caramelo ancorou do outro lado da ilha, para não ser notado.

“A ilha não é grande, mas antes que eu consiga atravessá-la, não vou saber o que o pirata Botelho está aprontando nesse tempo todo”, pensou Caramelo. “Fifi, vá dar uma espiada e fique de olho nele.”

“Já estou indo!”, grasnou Fifi e sumiu entre as árvores.

Quando Caramelo já estava na metade do caminho, o papagaio voltou.

“O pirata Botelho está indo embora!”, avisou.

“Como assim? Tão rápido? E o que ele veio fazer aqui?”

“Estava cavando”, disse Fifi.

“Ele encontrou o tesouro?”, irritou-se Caramelo.

“Não, não encontrou. Foi ele que o fez.”

“Me leve até lá, Fifi.”

O papagaio levou Caramelo até o lugar onde, pouco tempo antes, o pirata Botelho tinha enterrado um tesouro. E, de fato, lá estava outra vez, enterrado no chão, um baú com uma bota velha.

“Mas que droga! Fui o primeiro a chegar a este tesouro e mesmo assim não tem ouro nenhum aqui dentro!”, resmungou Caramelo.

“Não, o pirata Botelho cria baús de tesouros. Acho que é assim que ele se diverte”, disse Fifi.

“Ora essa! Pelas sereias do mar! Se ele faz tesouros, por que não coloca neles alguma coisa útil?”, irritou-se Caramelo.

O pirata ficou pensando. Ele vivia procurando tesouros. Mas, se encontrasse todos e recolhesse cada um deles, onde arranjaria mais? Uma hora eles acabariam. O pirata Botelho devia ter pensado a mesma coisa e resolveu inventar mais tesouros. Mas por que ele colocava botas dentro deles?

“Mas para que servem esses tesouros, afinal?”, resmungou Caramelo em voz alta.

“Pela alegria da procura. E pela alegria de encontrar”, disse Fifi.

“Tem razão.”

“Dar é melhor do que receber.”

“Que sabedoria é essa que você está dizendo agora?”

“Tesouro ao contrário também é tesouro.”

Caramelo caiu na risada.

“Esse papagaio é mesmo um danadinho.”

“Está bem, Fifi, vamos pôr alguma coisa no tesouro. Vamos fazer um tesouro ao contrário. Em vez de tirar coisas dele, vamos colocar algo lá dentro. E vamos deixar um bilhete dizendo que quem encontrar este tesouro deve deixar algo também.”

Caramelo fez exatamente como tinha dito. Mas o que de valioso ele poderia colocar no baú? Tinha deixado tudo no navio, ancorado na praia. Apalpou os bolsos do casaco.

“Pois então, vou colocar esta garrafa vazia no baú.”

“Isto é um tesouro, não uma lixeira”, avisou o papagaio.

“Não tenho nada melhor comigo. E não seja atrevido, Fifi. No próximo tesouro vou ser mais generoso, não se preocupe.”

“No próximo?”

“Mas é claro”, sorriu Caramelo. “Eu gosto de procurar tesouros. Nem sempre precisa haver ouro neles. Até a surpresa é divertida. E estou curioso para ver o que vai ter naquele baú quando voltarmos daqui a um ano.”

E assim o pirata Caramelo continuou procurando tesouros. Mas, em vez de tirar coisas deles, ele sempre colocava algo a mais.

Quando voltou um ano depois à ilha onde tinha enterrado a bota com a garrafa, ficou espantado com o que encontrou: além disso, havia uma meia, uma bússola, um anel, conchas, uma moeda, um lenço e um mapa: um mapa de outro tesouro às avessas.

Foi assim que o pirata Caramelo inventou uma brincadeira maravilhosa de caça ao tesouro, que agradou à maioria dos piratas e marinheiros. E, no fim das contas, vocês também podem brincar disso no verão, crianças. Basta esconder um tesouro em algum lugar, desenhar um mapa e passá-lo adiante para o próximo caçador. Vamos ver quantas coisas vão aparecer por lá.

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