Numa casa moravam três irmãos. O mais velho, Adam, estava no terceiro ano e vivia se gabando de como era bom em matemática. Nas horas vagas, adorava brincar com algo relacionado a carros: desenhava alguns e montava outros de papel.
O irmão do meio, Enzo, estava no primeiro ano. O que ele mais gostava era das aulas de educação física, porque corria rápido e pulava muito bem. Também adorava futebol e sempre ia jogar bola no campinho atrás de casa.

O caçula se chamava Vicente e ainda frequentava a escolinha. Sua parte preferida do dia era quando as professoras liam histórias, principalmente as de dragões e príncipes. Às vezes, imaginava que era um príncipe valente, capaz de derrotar um dragão e salvar a princesa mais bonita do mundo: a própria mãe.
Certo dia, os três irmãos pegaram giz e foram desenhar no pátio do parquinho. Enzo também levou uma bola, porque queria jogar futebol com alguém. Mas entrar num acordo nunca era fácil.
“Vem jogar bola comigo!”, insistia Enzo.
Adam nem levantou a cabeça.
“Agora não. Estou desenhando um carrão incrível.”
“Desenhar com giz é coisa de bebê”, resmungou Enzo.
“Então vai brincar com o Vicente.”
“Ele é pequeno demais. Mal consegue chutar a bola direito.”
Os irmãos ainda estavam discutindo quando, de repente, um giz preto caiu bem no meio deles.
O giz despencou no chão, entre os outros coloridos, mas não apareceu ali por acaso. Um gavião o tinha apanhado da torre de um feiticeiro, pensando que fosse um ratinho sentado à mesa comendo queijo. Quando percebeu que aquilo não tinha gosto de nada, largou o giz lá do alto. E, por coincidência, ele foi cair bem no meio dos meninos.
“Ué, de onde veio isso?”, perguntou Adam.
“Esse giz não é nosso”, disse Enzo.
“E ainda por cima é preto! Nunca vi um assim. Deixa eu testar.”
“Não! Eu vi primeiro!”
Adam foi mais rápido, pegou o giz e desenhou no chão a primeira coisa que lhe veio à cabeça: uma maçã.
Assim que terminou o desenho, apareceu uma maçã de verdade.
Os três arregalaram os olhos.
Enzo pegou a maçã do chão, cheirou e deu uma mordida.
“Hum… está deliciosa!”
“Esse giz é mágico!”, exclamou Adam. “Tudo o que a gente desenhar virará realidade!”
Na mesma hora, começaram a discutir o que deveriam desenhar primeiro. No empurra-empurra, o giz caiu no chão.
Nesse instante, o pequeno Vicente passou correndo atrás de borboletas. Como não tinha ouvido a conversa dos irmãos, achou apenas que aquele giz preto parecia divertido. Pegou-o do chão e começou a desenhar.
“Vamos fazer um supercarro!”, gritava Adam.
“Não! Desenha chocolate! E depois um gol e uma bola gigante!”, dizia Enzo. “Ah, e mais alguns jogadores também!”
De repente, um rugido grave ecoou pelo pátio.
Os meninos pararam de discutir na mesma hora.
Vicente, assustado, largou o giz e correu para perto dos irmãos.
Bem diante deles, erguia-se um enorme dragão preto.
“Vicente! O que foi que você desenhou?!”, gritou Adam, apavorado.
“Eu não sabia que o giz era mágico!”, respondeu o pequeno, quase chorando.
“Cadê o giz? Talvez dê para apagar o dragão!”, disse Enzo.
Os três começaram a procurar desesperadamente pelo giz enquanto recuavam diante do dragão. Mas, no desespero, acabaram pisando nele tantas vezes que o giz virou pó.
“Agora estamos perdidos!”, entrou Enzo em pânico. “O dragão vai comer a gente!”
Os meninos saíram correndo, com o dragão logo atrás.
“Ele é só um desenho! Talvez dê para apagar!”, gritou Adam enquanto corria o mais rápido que podia.
“E você acha que ele vai ficar parado esperando?”, respondeu Enzo.
“Além disso, a gente nem trouxe água nem esponja!”, lembrou Vicente.
Então Adam teve uma ideia.
“Já sei! Corram para o lago!”
Os três mudaram de direção na mesma hora.
Ainda bem que era verão, e a água estava gostosa e quentinha. Sem pensar duas vezes, os meninos largaram a roupa na margem e mergulharam.
O dragão veio atrás deles.
Mas, assim que entrou na água, começou a derreter.
Os irmãos espirravam água sem parar no monstro, até que o enorme dragão virou apenas uma mancha preta. Depois, o vento espalhou tudo, e o sol secou o resto.
“Ufa… essa foi por pouco”, suspirou Adam. “Acho que vou ficar um bom tempo sem desenhar.”
“Então vamos nadar mais um pouco e depois jogar futebol?”, perguntou Enzo, animado.
“E eu vou ser o juiz!”, gritou Vicente, todo feliz.
No fim, os três se divertiram pra valer.
Naquele dia, aprenderam que, juntos, eram mais fortes, mesmo sendo tão diferentes uns dos outros. Também descobriram que é importante ter brincadeiras que todos possam compartilhar.
E o giz mágico?
Bom… depois de tudo aquilo, eles acabaram esquecendo completamente dele.
Afinal, já tinham uns aos outros. E, quando se tem isso, quem precisa de magia?