A girafa Malvina, desde bem pequenininha, já tinha um jeitinho muito artístico. Enquanto passeava pelo mundo, ela admirava suas belezas, cores e as pinturas que a natureza e o sol criavam. Ficava pensando: “Ah, se eu também soubesse pintar assim. Preciso tentar”, pensou ela. E saiu correndo, toda impaciente, para arranjar um enorme pedaço de papel e uma paleta cheia de cores.
“Tudo bem, mas e agora? Como vou pintar com o casco?”. Ela começou a molhar os casquinhos na tinta e a ir deixando suas marquinhas pelo papel. O desenho até ficou muito interessante, mas ainda não era bem aquilo.

“Ai, ai, ai, meus cascos são grandes demais. Como é que eu vou pintar os detalhes da natureza com cascos tão enormes?”, lamentou. Mesmo um pouco triste, decidiu não desistir e continuou.
Ela correu até a loja mais próxima e comprou pincéis. Antes de voltar correndo para casa, tentou segurar o pincel com seu casco, mas ele caía o tempo todo, e, em vez de lindos desenhos, o que saía no papel eram apenas borrões atrapalhados.
“Ah, puxa, onde eu estava com a cabeça? Afinal, sou uma girafa, como poderia virar pintora?”, pensou ela enquanto saía para passear, tentando ao menos por um instante esquecer sua tristeza. Mas logo seus pensamentos foram interrompidos por um barulho que vinha de uma casinha ali perto.
Nessa casinha, morava uma mamãe, que estava reclamando que não conseguia pintar o quarto da filha. Ela criava a menina sozinha e queria pintar o quartinho da cor que ela mais gostava. Malvina logo percebeu o balde de tinta verde-ervilha e ficou um momentinho afastada, observando a mamãe.
Uma parte do quarto já estava pintada, mas a parte de cima era alta demais. A mamãe não era muito alta e não conseguia alcançar nem a parte de cima das paredes, nem o teto. Malvina não gostava de ver ninguém triste e, por isso, correu logo para consolá-la.
Ela disse à mamãe: “Bom dia, senhora, por que está tão triste?”. A mamãe respondeu: “Ah, Malvina, estou tentando pintar o quarto da minha filhinha com esse verde-ervilha, mas, infelizmente, sou pequena demais e não consigo alcançar o teto. Não sei o que fazer”.
“Ah, mas não se preocupe com isso. Eu vou ajudar a senhora. Sou bem alta”, respondeu a girafa. Então Malvina pegou o pincel com a boca e mergulhou na tinta verde. A parte de cima da parede e o teto não eram obstáculo para ela, pois ela era mesmo enorme e alcançava com tranquilidade.
Mamãe observava, maravilhada, Malvina pintar o quarto da filha com toda a habilidade. Em poucos minutos, tudo estava pintado. A girafa ficou muito feliz por ter ajudado a mamãe. De coração leve e com uma sacola cheia de guloseimas, voltou para casa toda contente.
Alguns dias depois, a mamãe a quem ela havia ajudado bateu à sua porta. Mas ela não estava sozinha, trouxe consigo uma amiga. “Malvina, por favor, será que você poderia ajudar a minha amiga? Ela também precisa pintar o quarto de sua filha”, disse a mamãe. Malvina respondeu: “Claro, não tem problema nenhum. Vou ajudar vocês com o maior prazer”.
E foi assim que, dentre as pessoas daquela cidadezinha, se espalhou a notícia de que Malvina pintava quartos maravilhosamente bem.
Com o tempo, ela foi ganhando cada vez mais clientes e aprendeu a pintar também sóis, nuvenzinhas e carrinhos. No fim, Malvina se tornou não a melhor pintora de quadros, mas a melhor pintora de quartos.