As pantufas mágicas

Era uma vez, além de três montanhas e três vales, uma aldeia onde morava um jovem chamado Junior. Ele vinha de uma família pobre que vivia apenas do que cultivava na terra. Depois Junior levava tudo para vender na feira.

Um dia, Junior teve muita sorte. Vendeu seus legumes mais rápido do que de costume e ainda lhe sobrou bastante tempo para passear ou ajudar em casa. Quando já estava se preparando para ir embora, algo chamou sua atenção…

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As pantufas mágicas

Perto dali, um velhinho vendia tecidos e roupas. Junior viu um lindo lenço e pensou em fazer uma surpresa para sua mãe. Então se aproximou do velhinho e perguntou: “Bom dia, senhor. Quanto custa este lenço?”

“Este custa cinco moedas de ouro”, respondeu o velhinho. 

Mas Junior também reparou em um par de pantufas velhas que estavam no canto da mesa e perguntou: “E aquelas pantufas ali? Parecem muito antigas”.

O velhinho sorriu. “São antigas mesmo. Mas não são pantufas comuns. Elas são mágicas. Se você disser para onde quer ir, elas o levarão até lá num piscar de olhos”.

Junior ficou admirado. Aquilo parecia impossível, mas e se fosse verdade? 

“E quanto custam?”, perguntou ele.

“Dez moedas pelas pantufas. E, por mais duas moedas, você pode levar o lenço também”, respondeu o velhinho.

Junior aceitou o trato, agradeceu e foi até a floresta para experimentar as pantufas mágicas. Assim que chegou, calçou as pantufas e disse, um pouco tímido: “Se vocês são mesmo mágicas, levem-me ao país mais rico do mundo”.

Mal terminou de falar, sentiu o chão girar suavemente sob seus pés. Num instante, apareceu em uma cidade magnífica, cheia de torres douradas, pedras preciosas e mercados brilhantes. A riqueza estava por toda parte, até onde a vista alcançava.

As pessoas dali tinham tudo o que desejavam, mas pareciam sempre apressadas, e quase ninguém sorria para Junior. Ele caminhou pela cidade admirando toda aquela maravilha. Depois de algum tempo, suspirou: “A riqueza é bonita, mas não sinto felicidade aqui”, disse para si mesmo.

Então calçou novamente as pantufas e fez outro pedido: “Levem-me para a terra onde vivem as mulheres mais bonitas”.

Num instante, as pantufas o levaram para um lugar onde as mulheres eram belas como princesas de contos de fadas. Usavam vestidos luxuosos, tinham cabelos brilhantes e rostos delicados.

Mas, quando Junior conversava com elas, percebia que muitas eram frias e se importavam apenas com ouro e presentes caros. Logo ele entendeu que a beleza sem bondade não traria felicidade.

Então Junior sentou-se sob uma árvore, calçou as pantufas mais uma vez e disse: “Levem-me até uma moça de bom coração, com quem eu possa viver feliz para sempre”.

As pantufas começaram a brilhar, e Junior apareceu numa terra simples e encantadora, cheia de campos verdes e casinhas acolhedoras.

Foi ali que conheceu Mariana. Naquele momento, ela cuidava de crianças doentes da aldeia. Seu sorriso era mais sincero do que todo o ouro do mundo.

Junior e Mariana começaram a conversar e logo perceberam que tinham muitas coisas em comum. Os dois eram trabalhadores, humildes e bondosos.

Com o passar do tempo, apaixonaram-se. Então Junior pediu a mão de Mariana em casamento e ela aceitou com alegria. Depois do casamento, as pantufas mágicas os levaram de volta para a casa dos pais de Junior. Feliz, ele presenteou sua mãe com o lindo lenço que havia comprado na feira.

Juntos, Junior e Mariana construíram uma casa. Cultivavam a terra e ajudavam as pessoas da aldeia. Eles não viviam rodeados de riquezas, mas tinham tudo o que realmente importava: amor, saúde e paz.

E as pantufas mágicas? Junior as guardou no sótão, porque aprendeu que a verdadeira felicidade não vem de objetos mágicos, mas de um coração bondoso. E assim Junior e Mariana viveram felizes por muitos e muitos anos.

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