O rato da cidade e o rato do campo

Era uma vez dois irmãos ratos: Nico e Nino. Nico morava na cidade e já estava acostumado com o movimento o tempo todo. Nino vivia no interior, onde reinavam o silêncio e a tranquilidade.

Um dia, perceberam que fazia tempo demais que não se viam. Resolveram, então, se visitarem.

Rozprávka na čítanie - O rato da cidade e o rato do campo
O rato da cidade e o rato do campo

Nino foi primeiro até a cidade. Ainda na viagem de ônibus, ficou espantado com a quantidade de carros na estrada. Quando chegou, viu que havia ainda mais. Era tanto barulho e um cheiro tão forte que ele precisou tapar o nariz.

“Olá, Nino! Bem-vindo à cidade! Primeiro vamos às compras”, disse Nico, puxando o irmão animado em direção ao shopping.

Nino ficou de boca aberta ao ver quantas lojas cabiam dentro de um prédio tão enorme. Mas ele não precisava de nada daquilo. Os dois estavam indo ao supermercado comprar comida.

“Você compra pepinos? Eu planto os meus lá em casa, na estufa”, comentou Nino, admirado com a pilha de pepinos todos no mesmo lugar.

“Aqui é difícil plantar”, explicou Nico. “A gente compra tudo pronto. É mais rápido e já sai com as sacolas cheias.”

“É… mas assim não dá para ficar tão feliz, né?”

Nico apenas deu de ombros.

“E vocês têm gatos por aqui?”, perguntou Nino, olhando para todos os lados, com medo de que um pulasse nele de repente.

“Temos, mas eles não saem dos apartamentos. São mimados, gordinhos e nunca viram um rato de perto.”

Depois das compras, foram para o apartamento de Nico. Comeram bem e, em seguida, Nico se acomodou no sofá para assistir à televisão e mexer no celular. Nino, cansado da viagem, foi dormir.

Mas dormir na cidade não era nada fácil. Os carros continuavam passando, uma ambulância fazia barulho de vez em quando, o elevador subia e descia com estrondo, e o gato do vizinho roncava tão alto que a parede parecia vibrar.

“Nossa, aqui ninguém dorme mesmo”, murmurou Nino, olhando pela janela as muitas luzes acesas na noite escura.

No dia seguinte, Nino voltou para casa e convidou Nico para passar uns dias no interior, longe da correria e do barulho.

“Nossa, isso aqui parece mais um caminho de terra!”, disse Nico ao ver a estradinha estreita. Não havia carros por perto, apenas um trator andando devagar lá longe. O silêncio era tão grande que chegava a incomodá-lo.

“Aqui você precisa tomar cuidado com os gatos”, avisou Nino. “Eles caçam ratos e são muito ágeis. Às vezes, é a única comida que conseguem.”

“Que horror!”, assustou-se Nico. “Como vocês vivem assim?”

“A gente se acostuma. É só ficar atento. Agora vou te mostrar minha hortinha.”

Nino levou o irmão para ver onde plantava cenouras e pepinos. Nico balançava a cabeça, impressionado.

“Vocês esperam tanto tempo para a comida crescer? Não tem mercado por aqui?”

“Claro que tem”, respondeu Nino, levando-o até uma pequena lojinha que vendia tudo o que um ratinho precisa no dia a dia.

“Só tem um tipo de queijo?”, estranhou Nico.

“E é mais do que suficiente. Lá na cidade eu nem sabia qual escolher com tantas opções. Esse aqui é fresquinho, feito pelo ratinho fazendeiro Gigio.”

Nico ficou pensativo. Será que era mesmo preciso ter tanta coisa para viver?

À noite, ele se surpreendeu outra vez.

“Vocês não assistem televisão?”

“Não. Prefiro olhar as estrelas”, disse Nino, apontando para o céu cheio de pontinhos brilhantes.

“Então vou ver as notícias no celular”, decidiu Nico.

Mas, depois de alguns segundos, guardou o aparelho.

“Aqui não tem sinal!”

Nico foi se deitar, mas não conseguia dormir. Era silêncio demais. Calma demais. Ele rolava de um lado para o outro, pensando em como o irmão podia estar tão satisfeito ali.

Na manhã seguinte, despediu-se.

“Acho que a vida no interior não é para mim.”

“Tudo bem”, disse Nino. “Eu também não me acostumei com a cidade.”

Nico sorriu.

“Descobri uma coisa: cada um gosta de um jeito de viver. A gente se sente bem onde já está acostumado. E está tudo certo.”

“Com certeza, mano. Mas, de vez em quando, eu vou te visitar. Foi uma experiência diferente.”

“E eu também vou arrumar um tempo para ver as estrelas com você.”

E assim os irmãos se despediram, cada um voltando feliz para o lugar que chamava de lar. Afinal, não trocariam sua vida por nada neste mundo.

Avalie isso post

Navigácia príspevkov

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo