A feira mágica da meia-noite

De manhã, Adam às vezes ajudava a colher framboesas ou a regar as flores do jardim. À tarde, saia para correr, explorando a floresta e os campos ao redor. E, à noite, ele e a vovó se sentavam juntos na varanda, de onde tinham uma vista linda da floresta.

Numa dessas noites, quando o sol estava se pondo, o céu começou a brilhar de um jeito diferente. Pequenas luzinhas piscavam entre as árvores, como se alguém tivesse pendurado lanterninhas coloridas pela floresta. 

Histórias curtas para dormir - A feira mágica da meia noite
A feira mágica da meia noite

A vovó sorriu ao ver aquilo e disse: “Deve ser a feira. Tivemos sorte. Ela aparece só de vez em quando”. Adam não entendeu e perguntou: “Que feira, vovó?” 

Ela respondeu baixinho: “A feira mágica da meia-noite. Ela só aparece quando o dia está se despedindo da noite, e apenas para quem tem um cantinho no coração para um pouco de magia”.

E assim, eles seguiram juntos pelo caminho da floresta. Entre as árvores e as lanternas coloridas, havia pessoas de capas compridas — magos, feiticeiras e até corujas que falavam. Eles tinham barracas de madeira que exibiam pequenos frascos brilhantes, caixinhas, saquinhos e pedrinhas. 

“Bem-vindos à feira mágica da meia-noite”, cumprimentou um mágico de chapéu alto, brilhante de estrelas. “Temos pequenos encantos que cabem no bolso, musiquinhas para alegrar o coração ou um pouco de coragem para os dias difíceis. Cada um encontra aqui o que mais precisa”.

Adam, surpreso e animado, ficou parado olhando para a feira ao seu redor. Numa barraca, ele viu uma feiticeira vendendo luzes do riso para melhorar dias tristes e pó mágico que podia ser jogado nos sapatos para andar mais rápido. Mais adiante, um mágico oferecia espelhinhos que mostravam exatamente o que a pessoa precisava naquele momento.

“Você gostaria de uma magia?”, perguntou o mágico. Adam respondeu sem jeito: “Sim, mas não tenho dinheiro.” O mágico sorriu e disse: “Na feira mágica da meia-noite, não se paga com dinheiro. Aqui, você paga com o que achar mais justo”.

O menino pensou um pouco. Então colocou a mão no bolso e tirou um pequeno botão que gostava muito, pois foi a vovó que havia costurado em seu casaco quando ele rasgou: “Pode ser esse botãozinho?”. O mágico fez que sim com a cabeça e pegou o botão. Em troca, entregou a Adam um pequeno frasco com pó dourado: “Abra essa magia quando precisar de uma luz que você não encontra em nenhum outro lugar”.

Aos poucos, a feira começou a desaparecer. Primeiro as vozes sumiram, depois as lanternas se apagaram, até que restaram apenas o silêncio da floresta e os sons da natureza. 

Alguns dias mais tarde, Adam saiu para colher mirtilos na floresta usando a caneca da vovó. Passou cerca de uma hora colhendo mirtilos, até que percebeu que havia se perdido. O sol já estava se pondo, e a floresta começava a escurecer. Foi então que se lembrou do pequeno frasco mágico, que desde aquela noite sempre levava consigo. Quando abriu o frasco, o pó dourado começou a brilhar como uma lanterninha, iluminando o caminho de volta. 

Enquanto isso, a vovó já estava preocupada. Quando Adam apareceu no caminho da floresta, ela ficou muito feliz em vê-lo e o abraçou. “Às vezes, um pouquinho de magia faz bem para todo mundo”, sussurrou ela. 

Desde então, Adam soube que a feira mágica da meia-noite existia e que só aparecia para quem ainda guardava, dentro do coração, um espacinho para a magia e para os milagres.

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