O mago bom

Em uma floresta bem densa, perto da vila, havia uma casinha. Nessa casinha, há muitos anos, morava um velho mago. Ele era um mago habilidoso — sabia preparar remédios, melhorar o clima e até fazer as flores desabrocharem. Na maior parte do tempo, não aparecia entre as pessoas e passava seus momentos livres cuidando da hortinha ao lado da casa ou brincando com seu gatinho Bigodinho.

Mas naquele dia tudo foi diferente. Caiu a primeira neve lá fora, e então ele resolveu dar uma voltinha até a vila. Achava que encontraria todo mundo animado — afinal, as pessoas costumavam ficar felizes com a neve e a chegada das festas.

Contos para crianças - O mago bom
O mago bom

Porém, em vez de alegria, encontrou um grande alvoroço. Os adultos discutiam, havia confusão por todos os lados, e até as crianças estavam muito tristes.

“Preciso pensar em alguma coisa”, disse o mago para si mesmo. “As pessoas precisam voltar a ficar felizes, não podem continuar assim.”

Ele correu para casa e começou a procurar em seus livros uma magia que trouxesse a alegria de volta para a vila. Procurou por muito tempo, até que finalmente encontrou o feitiço certo.

Sem hesitar, pegou seu caldeirão e foi colocando os ingredientes, um de cada vez, até acrescentar o último, que estava guardado em um saquinho de pano. A poção da felicidade estava pronta.

O mago subiu até o alto de sua torre e soprou a poção em direção à vila, sorrindo ao imaginar as pessoas felizes novamente.

Mas, quando voltou a passar por lá, não acreditou no que viu. As pessoas brigavam ainda mais, algumas quase chegavam a se bater, e as crianças choravam de tristeza.

“Por que essa magia não funcionou? Agora a confusão está ainda maior!”, exclamou ele, segurando o chapéu e correndo de volta para casa para descobrir onde havia errado.

Ele conferiu todos os ingredientes usados na poção, um por um, até chegar ao último.

“Ih, que trapalhada! Em vez de trevo de quatro folhas, coloquei um cogumelo venenoso. E agora, como vou conseguir trevos de quatro folhas? Lá fora está um frio de rachar, e nada está florescendo”, lamentou o mago.

Pensativo, saiu para caminhar pela floresta, tentando encontrar uma solução. Se não consertasse aquilo, seriam as festas mais desastrosas que a vila já tinha visto.

Enquanto resmungava baixinho, encontrou uma senhora pelo caminho.

“Olá, senhor. Por que está tão triste? Aconteceu alguma coisa ruim?”, perguntou ela.

O mago suspirou e respondeu: 

“Ah, se a senhora soubesse…”

“Então me conte. Talvez eu possa ajudar”, disse a senhora com um sorriso gentil.

Eles se sentaram em um tronco velho, e o mago contou tudo o que tinha acontecido.

“Olhe só, você deu sorte. Eu cultivo ervas e ainda tenho trevos de quatro folhas em casa”, disse ela, sorrindo.

O mago quase chorou de alegria.

“Nossa, a senhora vai me salvar! Como posso agradecer?”

“Com uma palavra boa”, respondeu a vovozinha. “E, principalmente, salvando esse povo da tristeza.”

A senhora entregou os trevos de quatro folhas para o mago, e ele correu para casa para consertar seu erro.

Assim que chegou, preparou uma nova poção e a espalhou novamente do alto da torre.

Nem precisou ir até a vila para ver o resultado. De longe, já era possível ouvir cantorias, risadas e muita alegria.

O mago ficou muito agradecido à senhora e, desde então, sempre a cumprimentava com respeito. E, daquele dia em diante, todas as manhãs conferia direitinho os ingredientes de suas poções, para nunca mais causar nenhuma confusão.

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