Era uma daquelas tardes outonais mais quentes, e Tomás e Simão voltavam da escola junto com a mãe deles. As calçadas estavam cobertas de folhas coloridas, mas algo mais também chamou a atenção dos meninos. Na calçada havia uns frutos marrons que eles nunca tinham visto antes.
“O que é isso, mamãe?”, perguntou Tomás, apontando para os frutos espalhados na calçada.

“São castanhas, meninos. Primeiro florescem em cascas verdes e parecem pequenos ouriços. Quando amadurecem, no outono, caem das árvores como castanhas. Delas se podem fazer vários bonequinhos ou assá-las e comê-las como um lanche gostoso!”, explicou mamãe.
Os olhinhos de Simão brilharam de alegria.
“Na escola teremos uma apresentação de outono. Talvez pudéssemos coletar algumas castanhas e depois fazer um teatrinho com bonequinhos de castanha.”, sugeriu Simão, entusiasmado.
Tomás também gostou da ideia. E assim os dois meninos começaram a recolher da calçada as castanhas caídas e, ao chegarem em casa, puseram-se a trabalhar. Juntos criaram alguns bonequinhos: um cachorro, um dragão, um príncipe, um cavalinho e um porco-espinho.
“Que peça deveríamos representar?”, refletia Simão, enquanto os dois olhavam para os bonequinhos criados.
“Que tal sobre um dragão que ataca um castelo? Um príncipe o liberta montado em seu cavalo, e os bichinhos o ajudam a derrotar o dragão!”, disse Tomás.
Simão concordou:
“Isso soa maravilhoso! Podemos criar um cenário, com os papelões velhos do depósito.”
E assim criaram um cenário com um alto castelo e um grande jardim. Quando tudo estava pronto, ensaiaram a pequena peça até altas horas da noite.
No dia seguinte, os meninos levaram o teatro com os bonequinhos para a escola e todos admiraram suas belas criações. Quando chegou a vez de representarem sua pequena peça, algo extraordinário aconteceu. Os bonecos ganharam vida! Mas fizeram tudo exatamente como os meninos haviam ensaiado.
O dragão atacou o castelo do príncipe, que travou batalha com a criatura. O dragão pisou no porco-espinho e cambaleou de dor. E então o príncipe venceu o dragão, e o reino se alegrou.
“Isso foi maravilhoso! Quase como se fosse real!”, elogiou a professora aos meninos.
Mas apenas eles dois sabiam que a encenação dos personagens era realmente verdadeira. Mesmo que por apenas um instante — depois do teatro, elas se transformaram novamente em simples bonequinhos de castanha.
Para Tomás e Simão, porém, ficará para sempre a lembrança do teatro de castanhas.