Era uma vez uma floresta profunda. Além dela, se estendia um descampado amplo e verde. Naquele descampado, havia uma casinha pequena, na qual vivia uma menina com sua avó. Tinham apenas uma à outra, por isso se cuidavam mutuamente.
A avó sabia muito sobre plantas e ervas, e a menina ajudava a limpar a casa e cuidar do jardim. Assim viviam juntas e contentes, até que chegou o dia em que a vovó, no caminho de casa, pegou uma chuva, se molhou toda e adoeceu.

A menina cuidou da vovó como pôde. Mas a doença não a abandonava, mesmo depois de vários dias, e em casa já quase não tinham o que comer.
“Que faremos? Desse jeito vamos morrer de fome”, disse a menina tristemente, sentando-se à beira da cama onde estava sua avó.
“Vá dar uma olhada no sótão! Se procurar bem, encontrará lá um velho jarro azul. Mas não é um jarro comum, falta-lhe a alça. Se você consertá-lo, ele fará tanto mingau quanto nossos corações desejarem.”, explicou a avó, que em seguida sorriu cansada e adormeceu.
A menina obedeceu a avó e começou a procurar. Encostou a velha escada na parede e subiu ao sótão, revirando caixas empoeiradas. A busca foi difícil, pois a única luz vinha da vela que havia levado consigo. Mas, finalmente, encontrou o jarro azul.
“Mas onde conseguirei uma alça para consertá-lo?”, se perguntou a menina.
Olhou embaixo da primeira caixa – nada. Examinou a pilha de roupas velhas – também nada. Até que, finalmente, espiou embaixo da última caixa no canto e encontrou uma pequena alça.
Com a alça em mãos, voltou para casa. Colocou o jarro sobre a mesa da cozinha, pegou cola da cesta no balcão e grudou a alça cuidadosamente de volta.
“Agora, funcionará!”, exclamou.
E, assim que a alça estava no lugar, o jarro começou a tremer, e de seu gargalo escorreu um saboroso mingau.
A menina salvou sua avó, e nunca mais passaram fome. A avó logo ficou boa, e ambas viveram juntas e felizes por muitos e muitos anos.