As conchas encantadas

Era um belo dia quente de verão, quando Joãozinho partiu com os pais para sua primeira viagem ao mar. Diante deles se estendia a superfície infinitamente azul do oceano, cintilando ao sol como um espelho. Joãozinho tinha apenas sete anos, mas sua curiosidade poderia preencher uma biblioteca inteira.

Assim que sua mãe terminou de passar o protetor solar em suas costas e o pai armou o guarda-sol, Joãozinho correu em direção à água, chutando a areia com os pés descalços.

Histórias para dormir - As conchas encantadas
As conchas encantadas

“Não vá muito longe!”, gritou a mamãe, mas sua voz se perdeu no rugido das ondas.

Joãozinho caminhou pela praia até chegar a uma pequena enseada, onde ninguém se movia além das gaivotas. Entre conchas e pedaços de madeira trazidos pela maré, notou três conchas: cada uma de cor diferente. Uma brilhava como ouro, a segunda era azul como uma lagoa e a terceira lilás como o céu do entardecer.

Curioso, ajoelhou-se e estendeu a mão. Quando tocou a concha dourada, ela reluziu, e um sussurro suave lhe segredou: “Quem encontra três conchas, três desejos terá…”

Os olhos de Joãozinho se iluminaram. Desejos! A primeira coisa que lhe veio à mente foi: “Eu gostaria de um castelo enorme de areia, um onde eu possa entrar!”

De súbito, a areia diante dele começou a se erguer, como se fosse moldada por uma mão invisível. Em um minuto, estava diante de Joãozinho um magnífico castelo de areia, com torres, escadarias e até mesmo um fosso com água.

“Isso é maravilhoso!” exclamou, correndo para dentro. 

Lá dentro era fresco e havia claridade ao mesmo tempo, e em cada cômodo erguiam-se esculturas de areia de animais que Joãozinho amava: leão, elefante e até uma rã gigante.

De repente, porém, ele percebeu que o castelo se desmoronava. A areia escorregava sob seus pés. 

“Preciso sair daqui!” gritou, correndo para fora bem a tempo, antes que o castelo desabasse como uma bolha estourada.

E Joãozinho olhou novamente para as conchas — restavam apenas duas.

“Preciso desejar algo mais sábio…”, refletiu. “Quero saber falar com os animais.”, concluiu.

A concha azul brilhou, e Joãozinho logo ouviu uma voz: 

“Então finalmente consegue nos entender?”

Joãozinho se virou e avistou uma gaivota que o observava com a cabeça inclinada.

“Você… tu fala?”, perguntou surpreso.

“Certamente. Mas o povo geralmente não nos escuta. Quer saber o que se esconde no fundo do oceano?”, sorriu a gaivota, acenando com a asa em direção ao mar.

João subiu nas costas da gaivota e voaram sobre o mar. Foram seguidos por golfinhos, pela tartaruguinha e pelo caranguejo, que contava a Joãozinho sobre navios naufragados e tesouros. Joãozinho sentia-se como se estivesse em um conto de fadas.

Quando o tempo do seu desejo acabou e voltou às conchas, restava apenas a roxa. Ponderou sobre o que desejar. Um tesouro? Brinquedos novos?

Então olhou para a gaivota, que o observava amigavelmente, e disse: 

“Quero me lembrar deste dia para sempre.”

A concha brilhou, e Joãozinho sentiu um calor invadindo seu coração. Sabia que o dia mágico permaneceria em sua memória não apenas pelos desejos, mas pelo que viveu, pelo que conheceu e pelo que compreendeu.

Quando voltou para junto dos pais, estava sorrindo de orelha a orelha.

“Você se divertiu bem?”, perguntou a mãe.

“Muito”, respondeu Joãozinho, apertando na palma da mão três conchas comuns. Só ele sabia que naquele dia elas eram encantadas.

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