Era uma vez, numa pequena, mas belíssima terra, um rei que vivia feliz com sua rainha. A rainha tinha dificuldade para engravidar, mas, por algum milagre, finalmente conseguiu ter uma criança. Numa noite de inverno, sob a lua cheia, deu à luz uma menina. Deram-lhe o nome de Jasmim.
A menina crescia formosa e enchia seus pais de alegria. Porém, um dia adoeceu gravemente. O rei e a rainha ficaram muito assustados, temendo perder a filha tão desejada. O rei mandou anunciar que qualquer pessoa que pudesse ajudá-la deveria vir ao reino e ofereceu uma generosa recompensa.

Muitos médicos renomados se revezaram junto ao leito da menina, mas nenhum conseguiu curá-la. Quando já perdiam as esperanças, chegou ao castelo uma velha feiticeira. Ela examinou a criança, olhou para rainha e disse:
“Sua filha morrerá em breve. Sei, porém, como ajudá-la, mas isso terá um preço. Salvarei a vida dela, mas terá que me dar algo pela vida de sua criança. Assim, sua filha viverá, mas ela jamais poderá ter um filho.”
A rainha hesitou, pois sabia o quanto havia sofrido por não poder gerar uma criança. Mas, se recusasse, perderia a filha que tinha nos braços. Então, ordenou à feiticeira que realizasse o encanto.
E assim aconteceu. Jasmim se curou e cresceu, tornando-se uma bela jovem dama. Tão bela que muitos príncipes se encantaram por ela. Num baile, conheceu um príncipe de um reino vizinho, que se apaixonou de tal forma que logo se casaram. O príncipe se tornou rei, e Jasmim passou a viver com ele no castelo.
Os dois se amavam profundamente e sonhavam em ter um filho que herdasse o trono. Tentaram de todas as maneiras, mas Jasmim não conseguia engravidar. Procurou benzedeiras, médicos e toda sorte de ervas, mas nada resolvia.
Um dia, ao visitar seus pais, queixou-se à mãe de sua tristeza. A rainha então confessou:
“Filha, nunca te contamos, mas você tem o direito de saber. Quando era criança, você ficou muito doente, quase morreu. Uma feiticeira te curou, mas cobrou um preço alto em troca. Ela lançou um encanto para que jamais pudesse ter filhos.”
Aflita, Jasmim saiu correndo em direção à floresta, onde se sentou à beira de um córrego e chorou por seu destino. Compreendia que os pais haviam salvo sua vida, mas se sentia injustiçada, pois jamais teria uma criança com o homem que amava.
Foi então que encontrou uma senhorinha.
“Olá, moça, por que chora assim?”, perguntou a senhorinha.
Jasmim lhe contou tudo.
“Eu posso ajudá-la. Também sou uma feiticeira. O encanto não pode ser desfeito, mas pode ser modificado. Se aceitar, nascerá uma criança para vocês, saudável e bela. Porém, sua vida terminará no instante em que a da criança começar. Essa é a única escolha.”
Jasmim refletiu e aceitou.
Ninguém sabia do pacto, e logo Jasmim engravidou. Todo o reino se alegrou, e ela também, pois finalmente carregava em seu ventre o mais precioso presente da vida. Não se arrependeu da decisão e aguardava com esperança o nascimento do bebê.
O rei estava radiante e cuidou dela até a noite em que a criança resolveu vir ao mundo. Nessa noite, Jasmim deu à luz um menino belíssimo. Segurou sua mãozinha e disse:
“Você será a esperança deste mundo, assim como eu tive esperança em você.”
Então fechou os olhos para sempre.
O reino chorou a morte da rainha, mas o príncipe que nascera cresceu para se tornar um homem justo e bondoso, o melhor governante que aquelas terras já conheceram.