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Contos para dormir - Polegarzinho

Histórias para Dormir

Polegarzinho

Era uma vez um marido e uma mulher que se amavam muito e viviam em paz. Só uma coisa deixava os dois tristes: ainda não tinham filhos, e queriam tanto um bebê! Até que um dia a sorte sorriu para eles e nasceu um menininho. Era pequenininho, do tamanho de um dedo, e por isso ganhou o nome de Polegarzinho.

Mas o Polegarzinho não era um menino qualquer. Era bem diferente das outras crianças, e não só no tamanho. Mal tinha nascido e já ajudava em tudo dentro de casa. E era alegre que só vendo!

Certa vez, quando tinha só uns poucos dias de vida, o Polegarzinho ficou sozinho em casa com a mãe, porque o pai tinha saído para arar a roça com o boi. A mamãe estava fazendo o almoço, e o filhinho cantava para ela:

“Eu sou o Polegarzinho, um menininho pequenininho! Lá em casa ninguém fica sozinho: sou do papai, sou da mamãe, e quando um deles não pode, o Polegarzinho ajuda!” A mamãe achava graça, e com toda aquela cantoria a comida até saía mais depressa. Quando o almoço ficou pronto, ela separou um prato e pôs numa cesta para levar ao marido na roça.

“Mamãe, deixa que eu levo o almoço pro papai, assim você descansa um pouquinho”, ofereceu-se o Polegarzinho, todo prestativo. “Ai, não sei não, meu amorzinho. Acho que você nem consegue levantar essa cesta”, sorriu a mãe. Mas, para surpresa dela, o Polegarzinho ergueu a cesta como se não fosse nada e, num piscar de olhos, já estava correndo para a roça atrás do pai.

Para um tiquinho de gente como ele, o caminho não era nada fácil. O Polegarzinho deu de cara com um monte de obstáculos, mas nem ligou e seguiu em frente. Já estava quase chegando e até via o pai arando lá longe, quando apareceu um riacho no meio do caminho, e ponte que é bom, nada! O Polegarzinho pensou, coçou a cabeça e exclamou: “Já sei! Vou fazer assim!” Tirou uma colher da cesta, fez dela um barquinho, usou um garfo de remo e atravessou para a outra margem com a cesta amarrada na cintura.

O pai reparou que, de repente, tinha aparecido uma cesta na beira da roça. Correu até lá e viu que quem tinha trazido a cesta era o seu filhinho.

Depois de darem um abraço bem apertado, o Polegarzinho propôs: “Papai, come o seu almoço sossegado, que eu aro no seu lugar.”

“Mas você não pode arar, Polegarzinho! Com essas mãozinhas tão pequenas, você nem consegue segurar o chicote. Como é que vai tocar o boi?”

“Se não consigo segurar o chicote, dou outro jeito. Eu entro na orelha do boi!” Dito e feito: o Polegarzinho se enfiou na orelha do boi e começou a gritar: “Eia, boi, vai arando!”

E vocês acreditam? Com o Polegarzinho mandando, o boi arou num instantinho mais do que um homem cem vezes maior conseguiria arar no mesmo tempo.

Ia passando por ali um fazendeiro rico, que viu um rapaz sentado na beira da roça enquanto o boi arava sozinho. Na mesma hora quis saber como aquilo era possível.

“O que é isso? Como é que esse boi está arando sozinho?”, perguntou o fazendeiro, já de olho no dinheiro que podia ganhar com aquilo.

Mas quem respondeu não foi o rapaz, e sim uma vozinha fina: “É que sou eu que estou tocando o boi!”

“Quem? O quê? Cadê você?”, perguntou o fazendeiro, sem entender nada.

“Aqui, dentro da orelha do boi!”, riu o Polegarzinho, e pulou para fora.

“Um lavrador desses é tudo o que eu queria! Come quase nada e trabalha por dois. Me vende o menino, rapaz, que eu pago bem”, insistiu o fazendeiro.

O pai não queria nem ouvir falar em se separar do filhinho que tinham esperado tanto e que mal tinha nascido. Mas o Polegarzinho pensava diferente: “Deixa eu ir com o fazendeiro, pai. Vai dar tudo certo, você vai ver.” E deu uma piscadinha marota, como quem está aprontando alguma. Meio a contragosto, o pai concordou e vendeu o Polegarzinho. Em troca do pequeno lavrador, ganhou do fazendeiro uma bolsinha cheia de moedas de ouro. O Polegarzinho deu um abraço de despedida no pai, o fazendeiro guardou o menino na sua bolsa de couro e seguiu para a fazenda.

O pai voltou para casa todo cabisbaixo. A mulher logo perguntou: “Cadê o Polegarzinho, homem? Ele foi atrás de você com o almoço. Vocês não se encontraram?”

“Encontramos, sim. Aquele espertinho levou o almoço e me ajudou na roça. Mas aí apareceu um fazendeiro rico e comprou o Polegarzinho. Olha aqui, ele me deu esta bolsa de moedas de ouro.”

“O quê?! Você vendeu o nosso Polegarzinho?”, gritou a mulher, quase desmaiando.

Os dois caíram no choro, quando de repente ouviram uma vozinha lá do chão: “Mamãe, papai, por que vocês estão chorando? O Polegarzinho está aqui com vocês!” Ah, que alegria! E o Polegarzinho, claro, contou como tinha fugido do fazendeiro: roeu um buraquinho na bolsa de couro, escorregou por ele e veio correndo direto para casa, para a mamãe e o papai.

Desde esse dia, os três nunca mais se separaram e viveram felizes juntinhos.

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