
Histórias para Dormir
Tomás e seu amigo boneco de neve
Lá onde o Tomás morava, quando o inverno chegava, chegava de verdade. Fazia cada vez mais frio, e o vidro da janela amanhecia todo desenhado de gelo. As crianças estavam doidas para ver os primeiros flocos de neve.
Não viam a hora de fazer guerra de bola de neve, montar bonecos de neve e descer os morros de trenó. O Tomás também estava louco de vontade. Ele era um menino pequeno e tinha acabado de entrar de férias.
Bem do lado da casa dele tinha um campo enorme, com um morro, onde ele ia brincar. No verão, soltava pipa e construía cabaninhas, e no inverno descia de trenó e fazia com a neve tudo o que lhe passava pela cabeça.
Numa noite, finalmente aconteceu o que ele tanto esperava: apareceram os primeiros flocos no céu e começou a nevar. Ele tentou dormir bem depressa, torcendo para acordar com tudo branquinho lá fora. E não deu outra!
Logo depois do café da manhã, ele correu para o campo, começou a juntar neve e a fazer bolas. Montou um boneco de neve do tamanho dele. Os olhos eram pedrinhas, o nariz era uma cenoura, o chapéu era uma panela, e na mão ele espetou um galhinho. Ficou lindo! O Tomás estava todo orgulhoso. Passou o dia inteiro caprichando para deixar o boneco ainda mais bonito. No fim, ficou muito contente com o seu trabalho.
À noite, antes de dormir, o Tomás olhou pela janela e viu uma estrela cadente. Lembrou que podia fazer um pedido e cochichou: “Eu queria que o meu boneco de neve fosse de verdade, vivinho!”
De manhã, ele acordou com umas batidinhas na janela. Ainda meio dormindo, olhou para ver quem estava batendo tão cedo, mas só viu um galhinho batendo no parapeito. Esfregou os olhos, levantou e não acreditou no que viu: ali, na frente da janela, estava o boneco de neve que ele tinha feito no campo! O boneco batia no vidro e chamava: “Tomás, acorda logo, antes que eu derreta! Vem brincar comigo!”
O Tomás ficou paralisado. Esfregava os olhos sem parar, achando que era só um sonho. Mas quando abriu a janela, o ar gelado acabou de acordá-lo, e ele viu que não era sonho, não. O desejo dele tinha se realizado: o boneco de neve tinha ganhado vida!
Ele correu lá para fora o mais rápido que pôde para ver o boneco de pertinho. Dava voltas em volta dele, olhava cada detalhe e balançava a cabeça, sem acreditar.
“Que foi? Tá olhando o quê? Você não queria que eu ganhasse vida? Pois aqui estou eu! Bora brincar logo, para dar tempo de fazer um montão de coisas!”, disse o amigo de neve, sorrindo para o Tomás.
O Tomás entendeu que era tudo verdade e resolveu aproveitar ao máximo o seu desejo realizado.
A partir daí, todo dia os dois viviam um montão de aventuras. Naquele inverno, não teve um único dia de tédio. O Tomás e o boneco de neve viraram melhores amigos.
Mas os meses foram passando e a primavera estava chegando. O sol brilhava cada vez mais forte, e o boneco de neve começou a derreter. O Tomás sabia que não tinha como manter o amigo no frio e ficou muito tristinho.
Mas o boneco de neve o consolou: “Tomás, tira de mim as pedrinhas, o galhinho, a panela e a cenoura. Coloca tudo na estante, para você ver sempre e não se esquecer de mim. Agora eu tenho que ir. Mas fica tranquilo: quando o frio voltar, eu volto também. É só você me fazer de novo com a neve. Sabe, tudo tem a sua hora. Agora é hora de ir embora, mas logo vai chegar a hora de eu voltar. Vou ficar morrendo de saudade. Aproveita o verão!” E o Tomás ainda conseguiu dar um abraço no boneco de neve antes de ele ir embora.
Em casa, ele pôs tudo na estante, do jeitinho que o amigo tinha pedido. E as palavras dele não saíam da sua cabeça: tudo tem a sua hora. E, conforme o Tomás foi crescendo, foi entendendo cada vez mais como o boneco de neve tinha razão.
Contos de inverno Contos para crianças em fase escolar Contos sobre bonecos de neve Histórias curtas para dormir Histórias de crianças Histórias mágicas




O que você achou da história?