Era uma vez, num tempo muito distante, uma gata que, numa noite de verão, deu à luz três filhotinhos. Um deles recebeu o nome de Miguel, era marrom com rabinho branco. O segundo chamava-se Belo, todo branco, e o último recebeu o nome de Folhinha.
Folhinha era o menor dos irmãos, mas também o mais adorável, branco com pequenas manchas marrons. A mamãe cuidava dos gatinhos com muito carinho e os alimentava com dedicação.

Certo dia ensolarado, a mamãe levou seus pequenos até o córrego para dar banho neles e deixá-los se aquecer ao sol. Os gatinhos perguntavam sobre tudo durante o caminho, pois nunca haviam estado na floresta. Quando já estavam perto da água, de repente, um cão enorme saiu correndo dos arbustos em direção a eles. Tinha presas gigantescas, e a mamãe gritou:
“Fujam, gatinhos! Esse cão pode nos machucar!”
Os filhotes correram, mas Folhinha tropeçou em um galho, rolou para dentro dos arbustos e ficou escondido, com medo do cão feroz. Quando não ouviu mais latidos nem viu o animal, saiu dos arbustos e olhou ao redor, procurando a mamãe e os irmãos. Porém, não conseguiu encontrá-los em lugar algum.
“Mamãe, onde você está?!”, gritou o gatinho, com a vozinha fina, e começou a seguir pela trilha, esperando encontrar sua família.
Assustado e com medo de passar fome sozinho na floresta, Folhinha viu um animal de pele acinzentada se aproximar. Não sabia se ele queria fazer mal, mas o lobo logo se dirigiu ao gatinho:
“Olá, gatinho. O que você faz sozinho na floresta?”
“E você, quem é?”, perguntou Folhinha.
“Eu sou um lobo.”, disse ele, orgulhoso.
“E você não vai me comer, não é? Eu me perdi e não consigo achar minha mãe e meus irmãos…”, respondeu Folhinha.
O lobo, que já tramava enganá-lo, disse:
“Não se preocupe, eu não como gatos. Venha comigo até minha casa, pelo menos descansará um pouco até lá sua mãe te encontrar.”
Folhinha, acreditando que o lobo queria ajudá-lo, o seguiu. Nossa história poderia ter terminado mal, pois Folhinha era pequeno e ingênuo, e o lobo, astuto. Mas, felizmente, um cervo os avistou.
“Ei, lobo! Para onde está levando esse gatinho? Está afiando os dentes para ele?”, perguntou o cervo, sério.
“Não, eu só estou ajudando o gatinho a encontrar sua mãe!”, respondeu o lobo, fingindo inocência.
Mesmo assim, o cervo não acreditou e disse:
“Não confio em você, lobo astuto. Eu vou cuidar do gatinho.”
O cervo colocou Folhinha em suas costas e caminhou pela floresta com ele.
“Gatinho, da próxima vez não confie em qualquer um assim. O lobo só queria te enganar, e se eu não tivesse aparecido, ele teria te devorado.”, ensinou o cervo.
“Eu não sabia… Estou na floresta pela primeira vez e me perdi da mãezinha quando estávamos perto do córrego e um cão grande nos perseguiu.”, explicou Folhinha.
O cervo apenas assentiu, compreensivo:
“Então vamos voltar ao córrego. Talvez sua mãe esteja te procurando por lá, e não é longe.”
Seguindo o cervo, Folhinha finalmente reencontrou a sua mãe, que o procurava ansiosamente. O gatinho chegou em segurança e nunca mais se perdeu na floresta.